sexta-feira, 30 de outubro de 2009

E aí, vamos dividir?

Trabalho invisível

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Você é um privilegiado?

Para pensar. Veio daqui.

Sim, o vestibular é perfeitamente meritocrático e incorruptível. Mas, quando eu entro pra Medicina em uma Federal, porque estudei em um dos melhores colégios particulares da cidade e passei a adolescência me concentrando nos estudos, entre viagens ocasionais a Miami e Bariloche, e quando um neguinho favelado, que estudou a vida toda na escola estudual ao pé do morro, trabalhando desde os dez anos pra ajudar a família, levando porrada da polícia e evitando as tentações de trabalhar pro tráfico, quando esse moleque não passa nem no vestibular de Filosofia da mesma Federal, será que posso realmente, de verdade, de cara limpa e consciência idem, bater no peito e me orgulhar do mérito da minha conquista individual?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Seu cachorro e sua comida

Em O Dilema do Onívoro (Ed. Intrínseca), o jornalista estadunidense Michael Pollan diz que, quanto maior a distância das duas pontas da cadeia alimentar humana – o solo e a prateleira (dos supermercados, açougues e afins) –, mais ignorantes somos em relação ao que comemos.

Este é o paradigma que explica, segundo Sônia Felipe, por que gostamos de nossos cães e gatos, mas não estabelecemos a mesma empatia com relação a bois e peixes.

"Os animais usados como comida são desconhecidos da mente humana, especialmente a formatada nos centros urbanos. Mas as pessoas que têm animais em sua companhia acompanham a agonia e as alegrias desse animal no cotidiano. Feito isso, já não suportam a ideia de infligir a esse animal qualquer tipo de dano, dor ou sofrimento", diz.

Para a professora, esse processo alienatório extingue a culpa do consumo, pela diferenciação de que uma espécie tem mais valor do que outra, levando em conta sua utilidade ao ego humano. "Abraçar um tipo de animal e passar a faca no pedaço de carne de outro no seu prato, torna-se algo natural. Há uma distância enorme entre o que a mente produz, ao elaborar a percepção do animal como um ser vivo senciente, que precisa receber proteção e cuidados, e a percepção da carne, alimento propagado como bom e necessário para o organismo humano", opina.

Fonte: Gazeta Do Povo

sábado, 24 de outubro de 2009

A diferença entre escolha e violência

A diferença entre escolha e violência

24 de setembro de 2009

Escolha: atitude que eu tomo por vontade espontânea e consciente, e que, ao mesmo tempo, se sustenta em não ferir o direito à escolha, à liberdade e à vida de um outro ser.

Não é nada complicado entender isso, no entanto, as pessoas insistem em chamar de escolhas algumas ações que invadem o direito do outro. Comer carne, por exemplo, invade o direito à vida e à liberdade do animal que está sendo consumido: quem consome o produto derivado da exploração e do sofrimento animal faz uma "escolha", no entanto, com essa "escolha", vai-se embora o direito à vida do ser que está sendo consumido. Não se trata de uma escolha: nesse caso, é violência.

Enquanto a minha escolha toma do outro alguma coisa vital para sua existência, deixa de ser escolha para se tornar uma violência.

Hoje mesmo conversando com um amigo sobre a importância de hábitos sustentáveis, coloquei a questão do veganismo como atitude primeira para minimizar os impactos ambientais e como condição básica para levarmos uma vida verdadeiramente sustentável.

Claro que ele me respondeu, bastante incomodado, que "devemos respeitar a opinião do outro". Um pensamento nocivo, perigoso: pois justifica o erro e faz com que permaneçamos nele.

Então eu coloquei a seguinte situação: chegam à Terra visitantes verdinhos de um outro planeta. Soberanos, eles resolvem, como quem escolhe uma roupa ou uma fruta na feira, que nós humanos seríamos uma boa pedida para o cardápio do almoço do dia seguinte. Respeitaríamos a "escolha" deles?

Os ditos ambientalistas também respeitam a "escolha" dos pecuaristas, dos criadores de animais, da indústria de produção de carne para consumo. Mas, se não é o direito à vida dos animais explorados para o consumo de carne, o que é, então, que os ambientalistas carnívoros respeitam? Também não é o planeta, naturalmente.

Existe, ao menos aparentemente, alguma grande dissociação que insiste em não se desfazer na cabeça deles. Um lapso, uma lacuna gigantesca. Pois se eles se preocupam com o planeta, por que não enxergam o principal causador da destruição da vida na Terra? Não sejamos ingênuos. Seria um mistério se não fosse indolência: os "defensores da natureza" ainda consomem carne e produtos derivados da exploração animal porque não querem mudar os seus hábitos. Querem apenas fazer seus discursos e falar sobre os seus conceitos de sustentabilidade. Que escolha fazem eles? Nenhuma, são exploradores como os outros que comem carne. Fazem a violência, em vez de escolhas.

Saibamos o que é escolha e o que é violência, para lembrarmos sempre de que não temos direitos sobre a vida do outro. Quem sabe, nosso incerto futuro nos reserve alguma experiência parecida com essa do cardápio, para que, definitivamente (se não tarde demais), tenhamos alguma noção do que seria a verdadeira liberdade de escolha.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Posso pedir a Sinead em casamento?


Neste video, o menino vai batendo de porta em porta, na Irlanda, pedindo a cada morador se ele pode casar com a Sinead.
E daí se pensa: o que cada morador tem a ver com a vida do cara, se ele pode ou não casar com ela? Ele que se exploda, case com quem quiser, tá pedindo permissão por que?
Justamente.
Ele que case com quem quiser. Independe da MINHA opinião se ele pode ou deve casar com a Sinead ou não. Independe da minha vontade, mesmo que a Sinead seja perfeita ou um monstro. O problema é dele.

Agora, por que é que depende da MINHA vontade se o menino quisesse casar com outro homem? Por que ele precisa da minha aprovação?

Eu não entendo por que isso AINDA está em discussão. Por que AINDA achamos que é nossa responsabilidade regular com quem as pessoas podem ou não ter um relacionamento afetivo.

Isso é muito coisa do passado...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como se apaixonar pelo inglês?

Ah mas que boa pergunta.
Eu desconheço a resposta. Mas posso divagar a respeito.

Acho que o jeito mais fácil de se apaixonar pela língua é se apaixonar por algum país que a fale. Pode ser Austrália, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul, até Kiribati, que seja. Mas quando você começa a se interessar pelo país, parece que todo o resto vem como consequência.

Porque primeiro você se apaixona pelo país. Logo quer saber um pouco mais sobre sua cultura. O que falam, o que comem, o que escutam... O próximo passo é querer saber mais sobre sua história. Aluga filmes, lê livros... Logo procura pessoas do país para se comunicar... Planeja viagens para esse país... Sonha... E tudo isso está sempre cheio do idioma, claro.

Como toda paixão, tem que estar cercada de admiração. Dificilmente você vai curtir inglês se for um super-ultra-anti-estadunidense que odeia o imperialismo e a cultura norte-americana. Logo, por consequência, dificilmente você vai conseguir aprender inglês.

O interesse vem da admiração, e a paixão também. Admirar seu povo, suas produções, sua história, seus pontos turísticos, suas conquistas, o que quer que seja... Fica tão mais fácil! Tão mais gostoso aprender! Tão mais motivador ir para as aulas!

Mas o aluno não quer nem perder tempo achando alguma coisa para admirar.

É complicado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aulinha da Gezinha - II

Queria ser atingida por um choque que nem o Mel Gibson, mas ao invés de conseguir ouvir os pensamentos das mulheres, ouvir os das crianças. Mas mesmo sem esse magnífico dom, eu identifiquei algumas coisas:

* Rotina: tem que ter rotina. Eles tem que saber que primeiro é música, depois flahscards, depois brincadeira. Mas sempre tem que ter a mesma sequência. Por falar nisso, preciso melhorar esse ponto. E muito!

* Puppet: ter uma marionete é muito MUITO massa. Quero muito um! Fica muito difícil para eles digerirem a idéia de que há 2 segundos eu falei português e agora falei inglês. Ou mesmo para eles entenderem que existe português e existe inglês. Com um puppet fica muito simples tudo isso! O puppet fala só inglês e a teacher faz um meio de campo. Diz-se que o puppet veio de um "outro lugar" (levando-se em conta que eles não sabem que há outros países) e fala diferente da gente. E a teacher entende!!! Assim já se define um objetivo. As crianças vão ter vontade de aprender inglês para conseguirem falar com o puppet. Afinal, você acha que vai surtir algum efeito explicar para a criança que ela vai precisar muito do inglês para conseguir um bom emprego quando crescer?

* Flashcards: muitos flashcards. Flashcards pra TUDO! Pra quem não sabe, flashcard nada mais é do que um cartão grande com uma imagem (uo palavra). Flashcards pra cores, pra animais, pra formas geométricas, pra frutas, etc etc etc. Nessa brincadeira já vão alguns cents reais, pois a impressão colorida fica entre R$1,00 e R$1,50 a folha... E flashcard tem que ser grande se não não tem graça... A parte mais do que boa eh que os flashcards dão opções de atividades infinitas. Mesmo sem a rotina e sem o puppet, com os flashcards sempre se dá um jeitinho.

* Estorinhas: eu achava que contar estórias era coisa do passado, mas olha só: toda aula - eu disse TODA AULA - eles me pedem para contar uma estória. Eles amam! Então, no final de cada lição (não de cada aula!!!) vale a pena criar uma estória usando o vocabulário que eles recém aprenderam. Eu já fiz isso e foi legalzinho - pena que sou péssima em contar estórias. Foi o encerramento de uma série de 3 aulas onde eu ensinei alguns animais básicos. Daí com os flashcards, contei a estória do gato que queria comer o peixe mas foi dissuadido pelo cachorro. Sim, foi uma estória meio cruel, com o gato falando que adora matar peixes para comê-los. Mas eu também indiretamente estava querendo criar uma certa consciência vegetariana nas crianças. O argumento que o cachorro usou e que foi decisivo para que o gato desistisse do peixecídio foi: peixes também sentem dor, igual eu e você!!! Boa né?

domingo, 18 de outubro de 2009

Inglês é uma delícia!

Como eu disse há alguns posts atrás, ninguém aprende inglês direitinho, de verdade, se não se apaixonar pela língua. Até aprende, aprende a se virar, quando tem um propósito claro. Mas para aprender de verdade, tem que se apaixonar.

Claro, eu sou suspeita para falar, eu sou teacher... Mas é meio difícil para eu entender como alguém consegue não se apaixonar por inglês! É tão delícia! É tão bom, saber inglês
é tão bom, é tão legal, como alguém pode não querer?

Achei um artigo muito legal justamente falando sobre isso aqui .

Ele basicamente fala do que eu sempre acreditei: você tem que estar apaixonado para aprender bem uma língua. Somente estando apaixonado você vai querer e precisar passar o máximo de tempo possível com o objeto do seu amor (no caso, o inglês). Vai querer ouvir e ler em inglês. Vai querer aprender mais, mais palavras e frases. Você vai pensar na língua onde quer que esteja. Você começa a observar o inglês de perto, percebe todas as coisinhas que ele faz, fica familiarizado com seus padrões de comportamento peculiares. Você respira a língua. Escuta sua voz. Sente. Consegue aprendê-la mais e mais, naturalmente.

E o texto conlui dizendo que se você somente usar a língua sem amá-la, você não irá melhorar. Se o objetivo é apenas conseguir um emprego melhor, ou passar em uma prova, você não vai melhorar.

É engraçado, porque eu sempre converso muito com os meus alunos sobre as motivações que eles tem para aprender inglês. Sempre falo que é muito importante que eles tenham claro em mente para que vai servir o inglês em suas vidas. E saliento que é isso que fará com que eles aprendam mais e melhor, e persistam.

Mas não é só isso não. Conheço um sem número de alunos que tem mil motivos para aprender, mas não aprendem. Não tem vontade, não adianta... E vontade é algo que vem muito lá de dentro, que dificilmente uma palavra de motivação ou uma pegação de pé vira a mesa. É porque tem que se apaixonar mesmo.

sábado, 17 de outubro de 2009

Aulinha da Gezinha - I

A minha intenção nessa aventura louca-muito-louca na educação infantil é aprender mais e melhor sobre a minha profissão. Apesar de não ter muuuitas pretensões como profe de crianças, acho que não tem como ser ultra-especialista ficando apenas na teoria. E eu quero ser ultra-especialista, referência sabe? Altas ambições, eu sei, mas não tinha um cara que dizia que "menor que meu sonho não posso ser"???

Para eu virar ultra-especialista, saber mesmo sobre educação e tudo que envolve o processo de ensinar-aprender, eu tenho que PRIMEIRO obter sucesso com as minhas crianças do Jardim I e II. Leia-se micro-crianças. Leia-se seres microscópicos que cabem na palma da mão. Seres que ainda não sabem limpar a bunda e ainda trocam o R pelo L. Coisas lindas, lindas e fofas (essa frase não estaria nesse post NUNCA se eu o tivesse escrito há 1 mês e meio atrás - ah, como é bom mudar).

Já se sabe que nenhuma criança fica fluente em inglês fazendo aulinhas dos 3 aos 6 anos. Então qual o meu objetivo? Ponto pra quem respondeu: fazer com que elas criem gosto pelo inglês e também criar um banco de dados sonoro no micro-cérebro delas.

Então, o foco básico do planejamento de cada aulinha é que eles GOSTEM da aula, GOSTEM da tchitcher e achem muito divertido conhecer novas palavrinhas. Quero que eles se habituem com a idéia de "uma língua diferente", e que desenvolvam uma atitude positiva com relação a isso. Mesmo que eles não saibam exatamente que EXISTE uma língua diferente, que isso que eles falam também é uma língua... Eu não espero, de maneira nenhuma, que as crianças nas primeiras aulas já produzam sentenças espontâneas e independentes em inglês. Mas, claro, eu os incentivarei a falar sim, se e quando eles estiverem prontos.

É interessante também, aliás, considero essencial, que as aulinhas não foquem exclusivamente na língua, mas sim no aprendizado da criança como um todo. Como eu vou dar aulas sem reforçar que quando eu falo, eles devem escutar? Como vou ensinar as cores em inglês se eles não sabem em português? Então basicamente o que eu vou ensinar tem que andar lado a lado com o que eles estão aprendendo, tanto quando o assunto é comportamento como quando o assunto é vocabulário em geral. Esses dias um dos pequenos apontou pra um desenho roxo e me perguntou que cor era aquela. Nota mental: não ensinar purple at this point.

Essas conclusões básicas serviram para clarear alguns pontos, mas ok... Como FAZER? Atenção para pesquisa... O que as crianças gostam? O que as crianças querem? Queria ser atingida por um choque que nem o Mel Gibson, mas ao invés de conseguir ouvir os pensamentos das mulheres, quero ouvir os das crianças.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dos meus sonhos mais dourados...

Um dia eu vou poder escolher quem vai ou não vai ser meu aluno. Se tem uma coisa muito, mas muito frustrante (e cada vez mais comum) é o seguinte:

* o aluno quer fazer inglês. Quer fazer inglês porque, por exemplo, pretende atuar na área de Direito Internacional. Porque acha bonito, porque acha que vai ganhar mais dinheiro.
* o aluno ainda não se formou na faculdade. Trabalha o dia inteiro e estuda a noite. O único tempo livre é ao meio dia e a noite.
* além disso, ainda tem família. Filhos, vida social.

Claro que esse aluno quer aprender inglês. Quem duvida da motivação dele? Quem acha que ele está mentindo? Ninguém. Mas eu acho que ele mente até para ele mesmo. Pois racionalmente, todo mundo sabe, inglês é fundamental e ele tem que aprender. Mas lá no fundo, no fundinho, ele meio que tipo assim sei lá não quer aprender taaaanto assim...
Pois o que acontece por conta disso? Ele joga 100% da responsabilidade na escola. Geralmente os alunos mais exigentes e mais "chatos" são justamente os dessa categoria, dos que não são assim exatamente tão afim de se esforçar para aprender.

Na primeira semana de provas na faculdade, ele começa a faltar no curso. E não pode repôr, pois não tem tempo livre (trabalha o dia inteiro e estuda a noite, lembra?). E depois o filho fica doente. Mais faltas. E daí não consegue acompanhar a aula seguinte direito, pois faltou as duas últimas. Tarefas então, sem comentários, na unidade 8 do livro ainda está fazendo a tarefa da 2. Diz saber que a tarefa é parte essencial do processo de aprendizagem, mas se soubesse de verdade, não deixaria acumular tantas.

E, em 100% dos casos, é esse o aluno que sai reclamando. Estudei em tal escola e não aprendi nada. Estudei com tal professor e ele não me ensinou nada. No formulário de trancamento, escreve: não me adaptei ao método. (????)

É engraçado como as pessoas em geral - e nesse caso especialmente os alunos - adoram achar culpados para a sua própria incompetência (tá vendo por que eu não posso falar disso no blog da escola onde trabalho?). Sempre me surpreendo com a dificuldade que as pessoas tem de se olhar no espelho. De se enxergar.

Então, daqui a alguns anos, eu vou poder escolher quem vai ser meu aluno. Eu vou fazer uma entrevista de pré-seleção, imperceptível, durante a explicação sobre o curso, o método, etc. Nessa apresentação vou incluir algumas perguntas para medir o quanto o aluno realmente é afim de aprender inglês, e se ele já tem alguma possibilidade de se apaixonar pela língua. Porque não se aprende inglês sem se apaixonar pela língua. Vou analisar quão mau-humorado ele é. Pois também acho que uma pessoa que entra na sala mau humorada não aprende nada. Inglês se aprende com humor, com emoção, com prazer, com risada. Aula de inglês não é reunião de negócios.
Depois de avaliada, eu já aviso a pessoa se tem vaga para ela no horário escolhido. Claro, para os promissores, terei vagas em todos os horários. Para os auto-enganadores, ops, essa turma está lotada...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Total Physical Response

É só porque eu tô tão empenhada em resolver minha vida na educação infantil que eu resolvi ler sobre esse método chamado Total Physical Response. Eu já estudei pacas (e capivaras) sobre métodos de ensino de inglês, mas basicamente pulei esse por achar estranho e ultrapassado. Mas, bem, eu estava vendo com olhos de professora de adultos. E agora - quem diria - estou olhando com olhos de professora de micro-crianças.

Esse método se baseia na idéia de que, quando aprendemos uma segunda língua, o idioma é internalizado através de um processo de decodificação similar ao desenvolvimento da primeira língua, e que esse processo exige um longo período de listening e compreensão ANTES da produção. Alunos respondem a comandos que exigem movimentos físicos. Já que é um método dos anos 70, sempre pensei, não rola, estamos nos anos 2 mil e talicoisa, e o futuro é pra frente (se você não sabe, esse é o meu lema, que aprendi com a minha ex-boss).

De acordo com o Dr. James Asher (que criou o método), o TPR baseia-se na premissa de que o cérebro humano tem uma programação biológica para adquirir qualquer lingua natural - inclusive libras (linguagem de sinais usada por deficientes auditivos). O processo fica visível quando observamos como crianças internalizam sua primeira língua. A comunicação entre os pais e seus filhos combina aspectos tanto verbais quanto físicos. A criança responde fisicamente ao que a mãe/pai fala. As respostas da criança, por sua vez, são reforçadas positivamente pela fala da mãe/pai. Por MUITOS meses a criança absorve o idioma sem ser capaz de falar. É durante esse período que ocorre a internalização e decodificação. Depois desse estágio, a criança é capaz de reproduzir a língua espontaneamente. Com o TPR, o professor tenta emular esse processo em sala de aula.

Em sala de aula, o professor e os alunos incorporam papéis semelhantes aos de mãe/pai e criança, respectivamente. Alunos devem responder fisicamente às palavras do professor. A atividade pode ser um simples jogo, como Simon Says (Simon says... touch your nose - e todas as crianças tocam o nariz.) ou pode envolver gramática mais complexa ou cenários mais detalhados.

Acho que eu não preciso ir muito mais longe do que isso para saber que é uma boa usar mais TPR nas minhas aulas. É claro que esses seres com formiguinhas no traseiro vão achar muito mais interessante uma aula onde eles tenham que se movimentar do que uma aula de pintar MAIS uma figura. E aliás, já foram 4 aulas e eu ainda não levei nenhuma atividade gráfica para eles pintarem/desenharem! Yay!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aprender uma segunda língua

Esse blog não tem o intuito de ser monotemático. Na verdade aqui é o meu espaço, onde falo de qualquer coisa que desperte meu interesse. Ultimamente, meus interesses têm sido adoção, gatos, pedagogia e feminismo. Mas acabo evitando falar sobre a aquisição do inglês como segunda língua porque prefiro conversar sobre isso com os meus alunos, ou postar minhas opiniões no blog da escola onde trabalho.

Mas, as vezes fica impossível. Algumas coisas simplesmente dominam o meu pensamento...

Há alguns dias eu colei um post aqui que dizia mais ou menos que nunca foi tão difícil ser professor. Afinal, os alunos estão apenas atrás do diploma, ou pensam que serão atingidos por uma mágica, e que o simples fato de pagarem e irem de vez em quando a um curso, fará com que automaticamente aprendam a língua.

Assim não se aprende nada. Nem inglês nem nada nesse mundo. Essa visão do aluno como cliente, que sempre tem razão e que deve ser satisfeito a qualquer custo é que criou a realidade que temos hoje. Eu não costumo reclamar disso. Sempre fui da posição de que, se a realidade mudou, nós é que temos que nos moldar a ela, e não adianta ficer emburrado.

Muitas vezes em reuniões pedagógicas, quando conversávamos sobre o rendimento dos alunos, os mesmo argumentos sempre apareciam: eles não recebem educação em casa, eles não perdem 1h por semana para estudar fora da sala de aula, eles não seguem nossas instruções e recomendações, eles tem deficiência no inglês porque a educação escolar também está de mal a pior... Eu geralmente concluía dizendo: ok, mudou tudo, e consertar tudo o que está errado está, nesse momento, fora do nosso alcance. O que fazer A PARTIR DISSO?
Temos alunos que faltam muito? Ok, vamos oferecer aulas de reposição. Temos alunos que não admitem pagar por aula de reposição? Ok, vamos dar um número X de aulas de reposição gratuita, e talvez diluir esse valor nas próprias mensalidades. Eles ainda assim não vem nas aulas? Ok, vamos aumentar o planejamento, ao invés de 1 livro ser feito em 4 meses, vamos fazê-lo em 6, dessa forma teremos tempo na própria sala de aula para rever conteúdos e sanar dificuldades.

Não adianta ficar listando os problemas DOS ALUNOS. O foco tem que ser o que nós, como escola, como professores, como educadores podemos fazer com aquilo que os alunos nos oferecem. E é muito pouco.

Se antigamente víamos cursos de inglês com duração de 7 anos, e era na época em que tínhamos pessoas com mais tempo livre e mais dedicados, hoje temos alunos muito mais relapsos e desinteressados, em cursos de 3 anos. Porque ele mesmo, o cliente, pediu por menos tempo de curso. E o mercado se adapta. E vamos em frente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ensinando inglês para micro-crianças

Ando obcecada em fazer com que a minha experiência na educação infantil seja boa.
Não sei se vou chegar a realmente AMAR dar aula para crianças TÃO microscópicas, mas pelo menos pela experiência e aprendizado, eu quero ser bem-sucedida!

Uma coisa já é fato: eu gosto de crianças.
Eu não sabia disso. Aliás, eu achava que odiava crianças. Mas na aula passada, eu entrei na escolinha e vi 4 micro-crianças (3 anos) correndo em minha direção e gritando TCHIIIIITCHEEEER!!!, e pulando no meu colo... Tipo... Eu tinha que ser um monstro pra não me emocionar com isso. Porque foi muito massa mesmo.

ELES SÃO MUITO PEQUENOS!!!
Meu D'us como são pequenos! Minúsculos!

Então, ando estudando materiais e métodos e abordagens e achando MUITO pouca coisa sobre o assunto na internet.
Porque não me basta encontrar um planinho de aula de uma profe "normal", porque minha situação é diferente, estou falando de ensinar uma língua diferente para seres que não sabem nem que falam uma língua.

Eles falam, claro. Mas não sabem que falam português, que português é uma coisa, e que existe outra coisa chamada inglês. A única coisa que eles sabem sobre língua é que a deles é vermelha.

E nessa de descobrir o que vai agradar meus micro-pequenos, vou tentando me adaptar aula a aula, meio que estudando eles e o que eles gostam e o que eles querem. Não está sendo fácil. Basicamente eu tenho um plano básico para cada aula, onde eu pulo ou estico as atividades conforme o grau de satisfação deles. Já aprendi, por exemplo, que NÃO ADIANTA colocar uma atividade de 15 minutos. Eles não suportam 15 minutos de nada. Todas as atividades são de 5 minutos, e no máááááximo 10. Mas, mesmo assim, enquanto a atividade EM SI leva 5 minutos, acabo usando 15 minutos da aula, pois para fazê-los sentar é um parto, depois fazê-los ficar em círculo é outro, e etc etc etc... Vários partos...

Uma coisa que eu percebi na educação infantil é que, apesar de ser uma aula mil vezes mais fácil de preparar, ela é mil vezes mais difícil de lecionar. Crianças te sugam. Acabam com você, com a sua energia. Eu posso tranquilamente dar 8 aulas em um dia para adultos e, claro ficar um pouco cansada e não querer nem fazer a janta depois. Mas é mais provável ainda eu ficar simplesmente exausta após dar apenas 3 aulas para crianças. Tenho vontade de me esconder no meu quarto escuro e morrer. Porque esses serzinhos exigem 100% da minha atenção e 120% da minha dedicação e da minha força física e das minhas capacidades mentais...

Eu não sei se vou conseguir fazer isso o dia inteiro, todos os dias da semana.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Gatos

Essas criaturas tem alguma coisa de mágica que me seduz instantaneamente.
Desde a primeira semana em que a Princesa (minha primogênita) morou aqui em casa, eu jurei para mim mesma que nunca mais passaria um dia da minha vida sequer sem ter um gato. Porque cada minuto em que eles estão acordados e também cada instante em que eles estão dormindo, é recheado de coisas fofas, posições engraçadas, brincadeiras e carinhos. E as vezes quando eles estão dormindo eu vou me chegando mais e mais perto até enfiar a cara na barriga deles (vítima favorita: Pirulito) e fico cheirando cheirando cheirando e esfregando a minha cara e dando beijo de um jeito que faria uma pessoa com renite desmaiar só de ver.

Patita aproveitando a bolsa que o Crocat destruiu...

E nessas horas, agradeço a D'us por não ter problemas respiratórios. Sim, só nessa hora. Dar aquela super fungada na barriga do Crocat sem dó nem piedade e sem medo de uma crise é, de fato, a melhor parte de não ter renite.


Crocat destruindo a bolsa...

Eu sempre pensei que os gatos estivessem conosco (humanos) há muito, muito menos tempo do que os cachorros. Isso porque o gato ainda tem essa coisa da independência, esse "tô-nem-aí-pra-ti" e essa constante desconfiança dos humanos.

Por exemplo... Minha cachorrinha Rebecca, sempre que tinha medo de alguma coisa, vinha correndo para mim. Se tinha medo de trovão, pulava no meu colo. Se tinha medo de outra pessoa, se escondia atrás das minhas pernas e ficava latindo dali. Ela sabia que não havia lugar NO MUNDO mais seguro para ela do que comigo.

Mas com os gatos não, com eles é diferente. Eles não confiam em seres humanos (e, sério, bem que eles fazem, a gente não presta). Se eu estou ali, no colchão da sala, aninhada com o Batata, por exemplo, e de repente dispara alguma alarme do vizinho... Tchau, Batata. E não adianta ir atrás. Não adianta chamar. Ele não acredita que eu o amo o suficiente pra protegê-lo de qualquer coisa nesse mundo. Igual com todos os outros. Cada um tem o seu esconderijo pela casa. Patita atrás do freezer. Batata atrás da patente. Princesa embaixo da pia. Pirulito atras da geladeira, e Crocat, CLARO, junto com o Pirulito - sempre.

Pirulito me ajudando no computador...

Então, com todas essas observações empíricas, eu cheguei sozinha a conclusão de que nosso convívio com os gatos era muito mais recente do que com os cães. Ah, essas e também a constatação da burrice deles. Burrice eu digo numa comparação com cães, que atendem pelo nome, são facilmente treinados, enfim, são quase humanos. Gatos não.

Para gostar de gato, você precisa esquecer completamente do que é um cachorro. Não pode tecer nenhum tipo de comparação entre eles (tipo a que eu fiz há 3 linhas). Bom, primeiro porque não existe motivo nenhum pra gente querer que dois animais diferentes sejam iguais, né... E segundo porque são mundos completamente diferentes - pra não dizer opostos. Não dá pra olhar pra um gato que insiste em ignorar o chamado de seu dono e pensar: meu cachorro sempre vem quando eu chamo. Porque um gato não é um cachorro. Gato é mais burro mesmo, nesse sentido "convívio-com-humanos" da palavra.

Então tá, gatos acabaram de chegar, cães estão aqui há mil milhões de anos, ao nosso lado.

Batata tomando banho.

Não foi o que acabei de descobrir!!!
Saiu uma matéria na Veja falando que os gatos estão conosco há 10 mil anos, enquanto os cachorros, entre 11 e 14 mil anos.
Primeiro caí de costas... Pois eu tinha certeza que eram milhões de anos. Mas ok...

A matéria vale a pena, e faz ter mais vontade de levantar do computador e ir dar mais um amasso nos gatos. Amiguinhos há 10 mil anos... ;)



domingo, 11 de outubro de 2009

Claro que foi o Fundo Cristão!

Porque não foram justamente os cristãos que inventaram que animais não tem alma, não sentem? Não foram justamente os cristãos que associaram os gatos a bruxaria e queimaram milhares deles junto com suas donas?

Puxa vida, por que é que eu não me surpreendo com essas coisas da Igreja?

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Campanha de ONG para crianças critica a atitude de tratar bem os animais

27 de setembro de 2009

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Uma campanha publicitária de uma organização chamada Fundo Cristão só pode ser descrita como moralmente inaceitável e discriminatória porque se utiliza de chantagem emocional especista (e do mais baixo nível) para 'promover' o que parece ser a causa da criança abandonada. Trata-se de uma imagem em que, de um lado, um cão é apresentando como 'privilegiado' e, do outro, uma criança como tendo nada nesse mundo, apenas sua idade. O 'ultraje' que a peça publicitária tenta causar é de que vivemos em um mundo onde os animais são melhores tratados do que crianças e que isso de alguma seja parte do problema da criança negligenciada. De onde essa organização equivocada conseguiu arrancar essa associação, realmente é um mistério.

Existem milhões de cães abandonados no Brasil, portanto a situação apresentada é falsa. Não é preciso nem mencionar o caso dos gatos, dos animais usados em tração, pássaros em gaiolas, enfim a maioria dos animais que tem a infelicidade de se encontrar sitiados dentro do universo dominado pelo humano, vive uma situação de horror. Mesmo os animais apresentados como privilegiados por essa campanha esdrúxula, em muitos casos foram comprados por pessoas que os tratam como brinquedos e propriedade. Existe apenas uma aparência de bom trato.

A forma de chamar a atenção para o problema da criança é mostrar suas verdadeiras causas: falta de planejamento familiar no Brasil, o egoísmo capitalista, a disparidade econômica entre humanos e a ignorância perpetuada por instituições religiosas que se opõem à mudanças legais que poderiam diminuir o problema de crianças abandonadas.

Lembrete aos funcionários do Fundo Cristão: a maioria dos cães, e dos animais em geral no Brasil vive uma vida de abandono, fome, doença e violência nas ruas das cidades. Quando não estão nas ruas, estão presos, muitos vezes acorrentados, abandonados nos quintais de pessoas insensíveis ao sofrimento alheio.

Essa campanha despida de ética expressa um situação ultrajante sim: um ultraje à compaixão e a inteligência.

sábado, 10 de outubro de 2009

O doloroso dom de ensinar

Li aqui:


Ser professor não é mole. Não é à toa que cada dia que passa temos menos interessados ou comprometidos com a causa. A educação nunca foi prioridade no governo e está em último lugar nas preocupações dos nossos ocupados governantes. Muito mais importante, aqui na Brazólia City é facilitar o trânsito das carruagens e diligências. Enquanto isso, loucos insanos continuam investindo tempo e gastando gargantas na esperança de colocar pelo menos mais um entre os muitos caminhos que nossos jovens podem trilhar.
Como se a situação precária, que todos sabemos existir, não bastasse ainda temos que concorrer com um pensamento maquiavélico da educação de mercado. O interessante nesse raciocínio é que todos os resultados estão na mão do contratado, o professor. Você é visto como um reles prestador de serviço, isso quer dizer que se o cliente não ficar satisfeito a culpa é sua. O professor que antes gozava com um estado respeitável e podia exigir do aluno empenho agora é obrigado a mastigar o processo de aprendizado e tornar o "exigente" e preguiçoso aluno capacitado. Todos tem que ter a maravilhosa didática que agrade a gregos e troianos e é claro, tempo reduzido e processo simplificado. E tudo isso pra quê? Alimentar a doce ilusão de que aquele papel que o alundo traz na mão é uma conquista dele e não ônus do professor.

O que o aluno quer? Um papel que diga para o chefe que ele sabe aquilo e pronto. Quando será que ele vai ser testado? Talvez nunca, mas o professor com certeza será e fica cada vez mais amargurado ao ouvir dos alunos "eu peguei essa matéria só pra ganhar crédito". Muitas vezes ao ouvir isso sinto vontade de dizer "Toma, tá aqui seus 4 créditos e suma, mas nunca diga a ninguém que fui sua professora, diga que entrou num sorteio e ganhou assim, como num passe de mágica, 4 créditos".

Eu nunca ouvi um professor dizer "Estou aqui só pra ganhar o meu salário". Nós colocamos a nossa cara a tapa, mas ganhamos mesmo muita má fé na lata. Insinuações de que aquilo pra vida do aluno não serve de nada, que era melhor eu dar uma relaxada na matéria. Fico com uma vontade danada de dizer que a novela também não serve pra nada, mas você assiste, decora, lembra, então vai estudar a minha matéria fadada à não ser nada. Talvez a culpa seja da pedagogia que ensinou o professor a deixar o aluno expor sua opinião. Os alunos, destreinados, não souberam o que fazer com tanto poder então adotaram uma oposição. Veja como se encontra a situação.

Falar que o professor não tem culpa também não é a solução, mas eu garanto que a maior parte da culpa dos professores é, talvez, ter bom coração. A maior parte tem pena dos alunos, essa é a danação. O que mais me dói é trabalhar todo dia de 8 da manhã às 10hs da noite pra ouvir que o cara não queria ter trabalho. Mas eu me pergunto, e eu? Ele acha que eu gosto de ralar isso tudo e ouvir esse tipo de insinuação? Só lamento pra ele, mas eu não quero pensar que um dia vai falar "eu até fiz essa matéria na universidade, mas não prendi nada". Pra quê fez então? O aluno não tem que fazer diferença? Cadeiras já tem na sala, ele não precisa ficar lá pra ocupar espaço. Lá tem o quadro, o ar, tudo isso pode fazer melhor esse papel. O que o cara quer afinal? Um papel, um diploma dizendo que se formou, que perdeu quatro anos da vida olhando pro quadro e de tão burro não aproveitou nada daquilo no final.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Interacao Social III

“De fato, ser coercitivo ou ser cooperativo, via de regra, depende de uma atitude moral. O indivíduo deve querer ser cooperativo. Podemos perfeitamente conceber que alguém com todas as condições intelectuais para ser cooperativo resolva não o ser porque o poder da coação lhe interessa de alguma forma.”

Bom, a coação basicamente sempre vai interessar a alguém em determinados momentos (ou durante a vida inteira). Mas entao toda essa lenga-lenga de teorias individuais vai entrar numa dimensão um pouco maior. Essa falta de diálogo entre casais, esse microuniverso aqui, que a Mariazinha vive, tem solução, mas a solução é muito mais abrangente – e por isso muito mais complicada.

Não tem jeito de resolver isso aqui entre eu e você, porque, no final das contas, o problema acaba sendo é político. A democracia (fundada no ideal de igualdade) deve estar em nossas entranhas, entre os nossos valores mais sagrados, deve ser algo tão interiorizado que soe totalmente estranho desvalorizar a opinião de alguém porque ela é “menos” do que a gente, maioria dominante. Tem que soar totalmente alienígena que a minha voz seja mais fraca só por eu ser mulher, que a voz do Zeca seja menos importante por ele ser homossexual, que a opinião do Cicrano não deva ser levada em conta porque ele é pobre.

Mas, como a gente não muda isso do dia para a noite, que tal começar agora, por você?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Interacao Social II

Nessas minhas novas descobertas Piagetianas, eu cheguei a conclusão que não é uma questão de que cada pessoa tem um “jeito” de conversar, que fulano é mais grosso e beltrano é mais bobo. Simplesmente ou SE SABE conversar e interagir socialmente, ou NÃO SE SABE.

Piaget diz que existem dois tipos de relação social: a coação e a cooperação.

A coação social é todo relacionamento em que uma das partes conta com autoridade ou prestígio. Sendo assim, os outros tomam como verdade qualquer coisa que lhes seja dito, pois quem disse é digno de confiança ou simplesmente tem poder.

É mais ou menos aí que eu encaixo essa parcela de relacionamentos a qual me referi. O homem se acha numa posição de autoridade ou prestígio, porque – oi! – é um homem, e a mulher fica na outra ponta. Espera-se que ela aceite como verdade o que quer que “seu” homem fale. A mulher tem pouca participação racional na produção, conservação e divulgação de suas idéias. O homem espera que ela apenas contente-se em aceitar o produto final como válido.

Não há verdadeiro diálogo.

Já na cooperação... Obviamente, é o oposto. Não há assimetria, imposição, repetição, crença, etc. Há discussão, troca de pontos de vista, controle mútuo dos argumentos. Além de ser a relação que representa o mais alto nível de socialização, é também a que promove o desenvolvimento.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Depois de posar para a PETA, Naomi Campbell estrela campanha de casacos de peles

Tudo por dinheiro

Depois de posar para a PETA, Naomi Campbell estrela campanha de casacos de peles

02 de setembro de 2009

Por Renan Vicente de Andrade (da Redação)

Há 15 anos, a modelo Naomi Campbell posou nua para uma campanha da PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, sigla em português) em protesto contra o uso de peles pela indústria da moda. Ela aparecia ao lado de outras modelos com o slogan "Preferimos estar nuas do que usar peles", dizia o cartaz da campanha que rodou o mundo.

No cartaz, em francês: "Prefiro ficar nua a vestir pele". Naomi, do lado direito, em campanha pela PETA. Foto: PETA

No cartaz, em francês: "Prefiro ficar nua a vestir pele". Naomi, do lado direito, em campanha pela PETA. Foto: PETA

Mas, a modelo deixou a consciência de lado e decidiu virar garota propaganda do estilista Dennis Basso, conhecido por suas coleções de casacos de peles, vendidos por até USD 200 mil.

As imagens da campanha da nova coleção desse estilista sem ética mostra a modelo de 29 anos vestindo vários casacos feitos de martas-zibelinas russas, incluindo uma foto em que Campbell somente traja o casaco.

Naomi trajando um casaco de pele. Foto: Divulgação

Naomi trajando um casaco de pele. Foto: Divulgação

Entre os que chamam Naomi de hipócrita, está Heather Mills, ex-esposa de Paul McCartney, que enviou à modelo uma carta criticando sua atitude.

Mas Campbell insiste que ela está em paz com sua decisão - e com a PETA. "Sim, ainda estou usando peles", disse a modelo.

Nota da Redação: Por trás do aparente talento do estilista Dennis Basso está um homem cruel e sem consciência. Apenas interessado em dinheiro, fama e futilidade.

* Com informações de NY Daily News

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Interacao Social I

E daí que eu andei reclamando dessa constante falta de comunicação, mas comunicação de verdade entre homens e mulheres, especialmente dentro de um relacionamento. Não, não foi bem reclamando, foi mais constatando. Pois eu já vivi situações assim e já vi muitas amigas minhas viverem a mesma coisa.

E coincidentemente eu estava estudando uns textos, até que cheguei em um que fala sobre a interação social na concepção de Piaget, e daí, . Eu sou muito tipo 100% egocêntrica, então mesmo se eu estiver lendo um texto sobre ursos polares vou encontrar alguma coisa que se aplica na minha vida e pensar: é mesmo, aqui é igual.

E então que esse texto fala basicamente sobre a influência da interação social no desenvolvimento humano, leia-se nas crianças. Mas so what que eu já sou adulta? Para falar de interação social no desenvolvimento da inteligência das crianças, o autor do texto teve que definir interação social como um todo. E foi daí que eu resolvi traçar esse paralelo entre o que eu andei escrevendo há alguns posts e o que eu li hoje.

O Homem como ser social

Rolou um exemplo de um pequeno diálogo, que transcrevo:

A – Na minha opinião, a obra de Freud é a mais importante em Psicologia...

B – Admito que seja importante; todavia, não diria que é a mais importante de todas, porque não aborda todas as facetas do comportamento humano.

A – Mas eu não estava pensando nesse aspecto quando falei da Psicanálise; estava pensando apenas no fato de que a obra de Freud reformulou totalmente as concepções de homem que antes eram dominantes.

B – Deste ponto de vista, faz sentido. Mas acho que não devemos esquecer que a importância de uma teoria também depende da sua abrangência e...

Esse seria um modelo de interação social equilibrada. E para Piaget, o “ser social” de mais alto nível é justamente aquele que consegue relacionar-se com seus semelhantes dessa forma “equilibrada”. Um fala, o outro concorda ou não e argumenta, e assim vai se seguindo a troca de opiniões e informações, sempre se valorizando a opinião do outro – mesmo quando não se concorda com ela.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ter um gato reduz o risco de sofrer um ataque cardíaco

Ter um gato reduz o risco de sofrer um ataque cardíaco

Ter um felino em casa alivia o estresse e a ansiedade, dizem os pesquisadores Foto: AP
Ter um felino em casa alivia o estresse e a ansiedade, dizem os pesquisadores

Se você tem um gato, conhece o lado difícil: sofás arranhados, desobediência crônica, miados à noite. Mas, por outro lado, ter um gato pode fazer muito bem ao seu coração. Segundo estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, o risco de morrer de um ataque cardíaco é 40% maior entre as pessoas que nunca tiveram um gato.

Examinando dados de 4.435 adultos, os pesquisadores perceberam que, ao longo do tempo em que decorreu o estudo, 3,4% dos donos de gato morreram de ataque cardíaco. Entre os não-donos, este percentual subiu para 5,8%.

Não ficou claro se ter um cão confere o mesmo benefício, pois não havia dados suficientes para chegar a alguma conclusão, explica o professor de neurologia e pesquisador chefe Adnan Qureshi, que liderou a pesquisa. Os resultados foram apresentados no mês passado, na Conferência Internacional sobre Enfarte, realizada em New Orleans, Estados Unidos.

"Se assumirmos que os benefícios são reais, então a explicação mais lógica pode ser a de que ter um gato alivia o estresse e a ansiedade, consequentemente reduzindo o risco de doenças cardiovasculares", diz Qureshi em artigo publicado no site da Universidade de Minnesota.

Ainda que seja tentador concluir que ter um gato vá melhorar as chances de se evitar um enfarte, o efeito também pode ser dar a partir de diferença preexistentes entre quem gosta de gatos e o resto da população. Ou seja, explica Qureshi, a questão é: ser dono de um gato diretamente reduz o risco de doenças cardiovasculares, ou as pessoas que têm gatos têm traços de personalidade que tendem a proteger contra essas doenlças independentemente de possuir o bichano?

O estudo não tem como responder a isto, nem deve ser considerado como uma recomendação para ter um gato. Mas Qureshi quer chegar ao fundo da questão, e pretende examinar mais dados de outros estudos para verificar se a relação gatos-coração sadio se mantém. Se o resultado for positivo, novos dados serão analisados para examinar o que há em ter um animal de estimação aue possa beneficiar as pessoas, especialmente aquelas que têm alto risco de apresentar doenças cardiovasculares.

De qualquer maneira, está claro que ter um gato tem alguma coisa a ver com a questão. "Se essa relação é real, então, diferentemente de outras medidas preventivas como angioplastia ou medicamente, tem baixo risco e não precisa de avaliação médica", Qureshi diz. E ele deve saber do que está falando: ele é dono de um gato.

O artigo (em inglês) no site da Universidade de Minnesota, pode ser lido pelo atalho http://tinyurl.com/2lzbrw

sábado, 3 de outubro de 2009

Palestra: Gênero e Ditadura

Eu sempre reclamo e me sinto mal quando a minha mãe comenta dos mil eventos massa que ela tem acesso lá em Floripa... Aqui em Blumenau nunca tem nada...

Agora vai ter.
06/10
Palestra: Gênero e Ditadura no Cone Sul: questões para uma história presente.
Cristina Scheibe Wolff
Através de exemplos da pesquisa empreendida pelo Laboratório de Estudos de Gênero e História da UFSC, intitulada Gênero, feminismos e ditaduras no Cone Sul, procuro problematizar a questão da história do presente. Toda a história é uma história do presente, na medida em que, como aponta Marc Bloch, ela é elaborada com as indagações que o presente proporciona. Por outro lado, no caso das ditaduras, dos movimentos de resistência, da repressão, o passado se faz presente através da memória social e dos movimentos que buscam justiça. Ao pesquisar sobre as relações de gênero nas organizações de esquerda e sobre o surgimento e a influência do feminismo naquele período de ditaduras, nos deparamos com algumas das questões que se impoem para a história do presente: como escolher as fontes, como lidar com a vinculação entre a história que estamos pesquisando e escrevendo e os desdobramentos políticos desta questão, entre outras.
Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2, possui graduação em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (1988), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1991) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1998). Em 2004/2005 realizou pós doutorado na Université Rennes 2, na França. Atualmente é uma das coordenadoras editoriais da Revista Estudos Feministas e professora associada do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de História, com ênfase em História das Mulheres e do Gênero, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero, guerrilha, memória, sustentabilidade e indígenas.
Daí que eu vou né, claro!