domingo, 28 de fevereiro de 2010

Trechos - A Mística Feminina

Vai demorar para eu acabar de ler... Porque eu fico com sono e tal. Nem sei como posso ambicionar uma carreira acadêmica do jeito que eu NÃO consigo ler. Mas tô lendo. Devagar e sempre :)

E abaixo, meus trechos preferidos de hoje:

* Tornou-se moda nos últimos anos rir do feminismo, considerando-o uma das piadas da história, e caçoar daquelas mulheres ridículas que lutavam pelos direitos de seu sexo a uma educação superior, ao voto e à vida profissional. Eram vítimas neuróticas da inveja do pênis, querendo ser iguais ao homem, é o que agora se diz. Na luta pelo direito de participar de tarefas importantes e tomar decisões na sociedade ao mesmo nível que seu companheiro, elas negavam a própria natureza feminina, que só encontra a sua realização através da passividade sexual, da aceitação do domínio masculino e da maternidade.

* As feministas foram pioneiras na própria vanguarda da evolução feminina. Precisam provar que a mulher era humana. Precisavam despedaçar, com violência se necessário, a estatueta de porcelana que representava a mulher ideal do século passado. Precisavam provar que ela não era um espelho vazio, passivo, uma decoração inútil, um animal sem inteligência, um objeto a ser usado, incapaz de interferir no próprio destino, antes de começarem a combater pelo direito de igualdade com o homem.

* A mulher só tinha uma função: agradar o homem. Era totalmente dependente de sua proteção num universo que não ajudara a criar. Era incapaz, portanto, de formular a simples interrogação humana: «Quem sou eu? Que desejo?»

* Mesmo que o homem a amasse como a uma criança, uma boneca, um objeto, que lhe desse rubis, cetins, veludos, que a agasalhasse em sua casa e a protegesse como aos filhos, não ansiaria a mulher por algo mais?

* Por estranha perversão da história, acredita-se que o entusiasmo e o ímpeto do movimento feminista nasceram do ódio ao homem, nutrido por solteironas amargas, esfomeadas de sexo, castradoras, assexuadas, que se consumiam em inveja tão profunda do órgão masculino que desejavam arrebatá-lo, destruí-lo, exigindo direitos apenas porque não tinham capacidade de amar como mulher.

* «A mulher precisa não de agir ou dominar como mulher», disse Margaret Fuller, «e sim de uma natureza para evoluir, um intelecto para discernir, uma alma para viver livremente, e a possibilidade de desenvolver sua potencialidade».

* Somente o homem tinha o direito de voto, a liberdade para traçar as grandes decisões da sociedade. Somente o homem era livre para amar, regozijar-se no amor e decidir sozinho, aos olhos de Deus, que era certo ou errado. Desejaria a mulher essa liberdade por querer ser homem? Ou por ser também humana?

* Feminismo não foi um mau gracejo. A revolução feminista precisava ser empreendida porque a mulher ficou simplesmente detida num estágio de evolução muito aquém de sua capacidade humana. «A função doméstica da mulher não esgota as suas potencialidades», pregava o Rev. Theodore Parker em Boston, em 1853. «Obrigar metade da raça humana a esgotar suas energias unicamente nas funções de governanta, esposa e mãe é um monstruoso desperdício do mais precioso material criado por Deus».

* O mito de que as feministas eram «monstros antinaturais» baseava-se na crença de que destruir a submissão da mulher, ordenada por Deus, seria destruir o lar e escravizar os homens. Tais mitos surgem em todas as revoluções que fazem progredir uma parcela da família humana no sentido da igualdade. Sejam as feministas representadas como seres desumanos, furiosas devoradoras de homens, ofensoras de Deus, ou nos termos modernos como pervertidas sexuais, não diferem nisso do estereótipo do membro de sindicato anarquista, ou do negro encarado como animal primitivo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ah se eu pudesse...

As vezes eu tenho vontade de dar uns tapas em algumas pessoas. Pois tem gente muito tapada no mundo. Tem idiotices que eu entendo. Apesar de não concordar. Entendo mesmo. Tipo na comunidade Blumenau, quando alguém falou que branco no Rio de Janeiro tá fu. Achei o fim. Extremamente racista e desnecessário o comentário, mas entendo como a pessoa chegou ali.

Mas não entendo ter lido num blog mixuruca esses dias um post enorme defendendo que a mulher acrescente o sobrenome do marido ao seu. Entendo que algumas mulheres queiram fazer isso. Defendo o direito delas fazerem, claro. Absolutamente nada de errado. O problema não era isso. O problema era os ataques às mulheres que não o fazem. Que são feminazis. Que querem a destruição da família. Como podem negar uma tradição que já vem desde a Idade Média? Como se ter nascido na Idade Média fizesse de uma tradição algo bom, um mérito, algo nobre e não o contrário. E daí ridicularizando os homens que acrescentam o sobrenome da esposa. Dizendo que eles são capachos, que são submissos, que são dominados pelas feminazis. Huh?

Caramba hein? Essa gente realmente acha que existe uma Guerra dos Sexos, uma luta pela dominação. Ou a mulher domina o homem ou o homem domina a mulher. Nunca, na cabecinha extremamente limitada desses seres, o homem e a mulher podem estar em pé de igualdade, vivendo felizes e em harmonia. Não. Feminismo para eles é a mulher dando ordens e o homem na coleira. E o ideal, para eles, é o contrário. Porque o homem sabe o que é melhor para a mulher. E por isso deve tomar todas as decisões pela sua mulher. Sabe inclusive em quem a mulher deve votar, qual cor deve ser a preferida dela, se ela deve ter unhas longas ou curtas, se ela deve ter o cabelo com franja ou não. Homens certamente sabem a receita da felicidade de qualquer mulher, não é por isso que vemos tantas donas de casa submissas que são felizes e realizadas por aí?

Me apresenta uma, por favor.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A Mística Feminina


Estou amando cada linha.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Túnel do Tempo: Somos selvagens

Esse post veio numa fase beeeem pessimista, como você vai ver adiante. Fase essa que, para mim, se repete constantemente, num ciclo. Hoje acho que estou nesse clima novamente. Datado de 05 de julho de 2004.

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Algumas pessoas podem ser mais selvagens que animais selvagens. Em todo e qualquer sentido. Podem sim, por que não? Só porque animais selvagens matam suas presas e comem sua carniça sem se importar com o que acontece à sua volta? Só pq se deliciam com banquetes de filhotes indefesos?

Eu posso nomear milhões de situações em que a mesma coisa aconteceu entre seres humanos. Posso contar minhas histórias pessoais em que pessoas sem o menor escrúpulo pisaram sobre o meu crânio e dilaceraram a minha alma, restando apenas trapos, restos, carniça. E outros que vieram depois, urubus emocionais, para acabar de uma vez com as sobras.

Posso falar também de todas as vezes em que eu mesma fui a carniceira, em que para satisfazer o meu ego ou maquiar a minha carência, arranquei as vísceras de quem estava por perto e manchei meu rosto com sangue das emoções alheias.

Todos nós por alguma razão em algum momento esquecemos um pouco que temos a capacidade de ponderar e discernir para cairmos na vala comum do animal irracional. Para nos comportarmos instintivamente e inconseqüentemente.

É a lei da selva, ainda hoje, aplicada ao nosso dia-a-dia tão polido. E pensamos que estamos cada vez mais evoluídos, mais humanos. Nada. Isso não muda. Só que hoje, ao invés de comermos um pedaço de carne e roermos um fêmur de sobremesa, nosso banquete é de emoções. Quantos corações podemos destroçar, quantas auto-estimas podemos arrasar, quantas amizades podemos trair.

Quando eu crescer, quero aprender a ser mais humana e menos bicho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Linhas Pedagógicas

Escola Tradicional
Nesta linha pedagógica, a mais utilizada no Brasil, o professor é o dono do saber e o aluno caminha na medida em que ele vai adquirindo o conteúdo. A criança, nesta escola, deverá absorver todo o conhecimento que o professor transmite, sem questionamentos. O professor ensina a matéria de forma sistematizada e não precisa levar em conta as particularidades de cada aluno. Este é um método utilizado também nas Universidades do Brasil. É uma linha interessante para crianças que não possuem grandes dificuldades de aprendizado, já que o conteúdo pode ser decorado.
Método de avaliação: A linha tradicional mede o conhecimento memorizado do aluno, que é transmitido pelo professor, por meio de uma prova. Quem não atinge a pontuação mínima, é reprovado e deve cursar o ano novamente.
Escola Comportamental
É uma linha muito semelhante à Tradicional, colocada em prática pelo psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, mas, nesta prática, o ensino é conduzido através de estímulos, com uma troca constante entre professores e alunos. Desta maneira, o educador questiona e, conforme a resposta do aluno, ele vai moldando o conteúdo e conduzindo as crianças à realidade.
Método de avaliação: É idêntica à tradicional, com a possibilidade do aluno ser reprovado se não atingir a pontuação mínima.
Escola Construtivista
Nesta pedagogia, criada por Jean Piaget, o aluno deve adquirir autonomia e formar o seu aprendizado por meio da construção de hipóteses e resolução de problemas. Diferente da Escola Tradicional, o professor não detém totalmente o saber, ele é um orientador dos interesses das crianças. É o oposto da linha tradicional.
Método de avaliação: Na maioria das escolas que segue esta filosofia, a avaliação é contínua, ou seja, o aluno é avaliado durante todo o ano escolar. No entanto, há escolas que aplicam a avaliação comum da escola tradicional.
Escola Montessoriana
Este método pedagógico, criada por Maria Montessori, parte do princípio de que a criança precisa ter uma experiência concreta para chegar à abstração, pois somente assim ela assimilará o conhecimento. As salas de aula das escolas que seguem a linha montessoriana costumam ter, em média, 20 alunos, e diferentes materiais para realização das aulas. Ali, os alunos podem escolher as atividades do dia, mas é preciso que ele cumpra o programa obrigatório para poder avançar. Com isso, o professor conduz o processo escolar.
Método de avaliação: Depende muito da escola. Pode haver uma prova agendada anteriormente ou apenas a avaliação do empenho e interesse do aluno.
Escola Waldorf
Neste método de ensino, a criança possui o mesmo professor durante todo o ensino fundamental e aprende de acordo com o ritmo do seu desenvolvimento físico, intelectual e espiritual. Na pedagogia criada pelo austríaco Rudolf Steiner, o interesse e os questionamentos do aluno são respeitados. Além das matérias tradicionais, há aulas de jardinagem, música, marcenaria e teatro no currículo escolar.
Método de avaliação: É semelhante à Escola Tradicional, em que o aluno tem o seu conhecimento medido em sua atuação ao longo do ano. Se tiver muitas dificuldades, pode ser aconselhado a refazer o ano ou a mudar de escola.
Escola Freiriana
Baseada nos ideais de Paulo Freire para a alfabetização, os aspectos culturais, sociais e humanos são muito considerados nesta linha pedagógica, portanto, a criança que vive no campo, por exemplo, será educada de forma distinta da criança que vive na cidade. Além disso, neste caso, o conhecimento só fará sentido quando o aluno se tornar capaz de transformar seu mundo externo e interno. Na linha Freiriana, a ética, a humildade, o respeito e a solidariedade, entre outros aspectos, são bastante defendidos e a educação está mais ligada à felicidade pessoal.
Método de avaliação: Também ocorre continuamente, a criança é avaliada ao longo do processo educacional.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Olha, esse post foi feito para o blumenauense!

dica 030 - Praticar o "cada um por si" no trânsito

Para quem quer se comportar como a Classe Média brasileira, um ótimo ambiente de observação é o trânsito de nossas grandes cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores deste peculiar grupo social.

O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu
direito individualprioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da Classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (este ponto já é bem mais fácil de entender).

Para encarar o trânsito, cada cidadão da Classe deve estar equipado com seu carro. Se uma moradia médio-classista possui, por exemplo, 4 habitantes em idade para serem condutores, o ideal é que ali haja 4 carros. O carro é uma importante propriedade desses cidadãos, e seu interior é seu mundo particular, uma extensão de sua casa sobre rodas. Por isso, o carro para este público precisa ser equipado com "insulfim", equipamento de som, ar-condicionado e lugar para no mínimo cinco passageiros (para levar objetos e peças de vestuário, uma vez que raramente o carro do médio-classista trafega com mais de uma pessoa além do motorista). Tudo isso garante que o que realmente importa (o mundo particular do condutor) esteja muito agradável, a fim de evitar o contato com o mundo exterior, totalmente desprezível. Para este, há um mecanismo de comunicação denominado buzina.

Você, aprendiz de médio-classista, precisa aprender que, para ser da Classe, é necessário se revoltar com as atuais condições do trânsito. Assim, no seu papel de cidadão politizado e pagador de impostos, deve exigir das autoridades que abram espaço na cidade para mais carros. Que desapropriem, botem a cidade abaixo, mas garantam a duplicação das vias até resolver o problema (o que provavelmente será quando a cidade for um grande plano de asfalto). Fique revoltado também pelo fato de o Governo se preocupar mais em, violentamente, coibir seu direito sagrado de ingerir álcool, do que abrir mais acessos pro seu carro trafegar mais rápido.

Também é preciso aprender a se comportar neste ambiente. Se você quiser se parecer realmente com alguém da Classe, ande sempre na frente dos outros. Se alguém sinalizar que quer mudar de faixa e ficar à sua frente, mesmo que você esteja um pouco longe, acelere loucamente para passar à frente dele antes que ele realize a manobra. Logo, sabendo que todos agirão assim, dispense o uso da seta (pode até pedir o mecânico para desativar a sua). Você não tem que dar satisfações sobre pra que lado vai virar ou se quer ou não mudar de faixa.

Portanto, aspirante, o primeiríssimo passo para entrar na Classe é abandonar o transporte coletivo, o metrô e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte coletivo você está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é "só seu". É muito melhor que você trafegue dentro de sua bolha de vidro e metal, "privatizando" (aprenda a adorar esta palavra) cerca de 10m² do espaço público, com uma máquina de 1000kg que queimará petróleo para transportar uma pessoa de 70kg, a fim de garantir seu merecido bem-estar até seu destino.
Você tem direito, você é da Classe Média.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Hábitos de gente babaca

O Alex fez uma lista de hábitos, mas eu escolhi os que acho MAIS cretinos.

* Acreditar em conspiração.

* Ser nostálgico.

* Buscar por raízes.

* Corrigir os outros.

Eu hein.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Homeschooling

Uwe Romeike, um professor de piano, e a sua mulher, Hannelore, evangélicos devotos, decidiram retirar os seus filhos da escola estatal em que estavam inscritos em Bissingen (estado de Baden-Württemberg, sudoeste da Alemanha), em 2006, alegando que o currículo era anti-cristão. De acordo com o casal, os manuais escolares dos seus filhos apresentavam ideias e linguagem que entravam em conflito com as suas crenças religiosas, incluindo termos em calão para definir actos sexuais e imagens de vampiros e bruxas. Quando o filho mais velho começou a andar à pancada com os colegas e a filha mais velha começou a ter dificuldades em estudar, os Romeike decidiram que já bastava. Tiraram-nos da escola pública e deram início à escola caseira.

"É importante os pais terem a liberdade de poder escolher a forma como os seus filhos são ensinados", indicou Hannelore Romeike à Associated Press.

"Nos últimos 10 a 20 anos o currículo educativo nas escolas públicas tem sido cada vez mais contrário aos valores cristãos", acrescentou Hannelore. "Nós comunicamos os nossos valores, os professores comunicam os deles; e se as crianças estão na escola, nós não podemos influenciar aquilo que eles aprendem".

Ter ou não ter direito a doutrinar os filhos

A par com milhares de vítimas de tortura, dissidentes políticos, membros de minorias religiosas e outros grupos perseguidos que, todos os anos, conseguem asilo político nos Estados Unidos, a família Romeike poderá agora trabalhar e viver legalmente no país. Apesar de ser o primeiro caso do género no país - de asilo por questões educativas -, ele não abre um precedente nas leis nacionais. Isso só acontecerá se o governo americano apelar desta decisão e um tribunal de segunda instância confirmar o veredicto.

"Estas pessoas que ensinam os filhos em casa, na Alemanha, fazem parte de um 'grupo social particular' e, ao abrigo das leis de asilo norte-americanas, esses grupos são protegidos", indicou o advogado de defesa da família e representante da Associação evangélica Home School Legal Defence, Mike Connelly, citado pelo "The Guardian". "Este juiz olhou para as provas, ouviu os testemunhos e sentiu que a maneira como a Alemanha está a tratar as pessoas que optam por ensinar os seus filhos em casa está errada. Os direitos que estavam a ser violados eram direitos humanos básicos", disse.

Hans Bruegelmann, um professor de pedagogia da Universidade de Siegen, discorda. Contactado pela estação "Deutsche Welle", Bruegelmann esclareceu que o contacto com outras maneiras de viver e de pensar são fundamentais para o correcto desenvolvimento das crianças.

"Eles não deveriam ter o direito de doutrinar os seus filhos. É importante para as crianças - para além das experiências que têm em casa, que devem ser respeitadas - terem acesso a outras formas de entender o mundo", disse.

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Mas até onde eu sei, mesmo o homeschooling tem um currículo mínimo. Você não pode simplesmente estudar o que achar mais legal e pronto.
Bom, no caso deles, eles poderão ensinar CIÊNCIA COMO FICÇÃO e RELIGIÃO COMO FATO.

Não sei se concordo muito com homeschooling. Tenho medo do que muitos pais podem fazer com seus filhos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Problemas de aprendizagem

Uma pesquisa divulgada pela UNESCO derrubou um antigo mito: dois terços dos problemas de rendimento escolar são provenientes da forma de ensinar, e não das condições econômicas do país, dos problemas emocionais do estudante ou da falta de estrutura familiar, como se acreditava até então.

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Eu lembro que sempre trabalhei com professores meio derrotistas. Que sempre falavam que a culpa era do aluno. Que a culpa era dos pais. Que a culpa era da família. Que a culpa era da TV. Que não importava o que eles fizessem em sala, não faria diferença pois os alunos não aprenderiam.

Muitas vezes eu acho um pouco disso também. Eu acho que os alunos estão acomodados e desinteressados. E que isso acontece por culpa dos pais, que não estimulam nem dão exemplo. Acho que a família em geral é uma instituição praticamente falida, no que diz respeito ao seu papel social. E também que a TV é uma merda. Não bem a TV é uma merda, mas os programas que as crianças assistem são uma merda. Só que ao mesmo tempo, eu sempre falava para os professores: ok, tudo é uma merda, e agora, como vamos nos posicionar diante disso?

Cruzar os braços e pronto? Dar aulas apenas para bater o cartão ponto e dormir tranquilos? O desafio é superar todo esse ambiente burrificador e ainda fazer um bom trabalho, e conseguir ensinar. Tem alguma forma. Claro que tem. As crianças passam 4 horas por dia na escola. Será possível que elas conseguem, depois de 9 anos de ensino fundamental, saírem da escola analfabetos funcionais?

Eu não sei, mas eu acho que a culpa é sim da escola, e mais especificamente dos professores. São 4 horas por dia! 20 horas por semana! Faz a matemática e veja quantas horas a criança passa na escola. É admissível que não aprenda nada???

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Burqa

Enquanto muitos discutem se a França está fazendo certo ou não ao proibir o uso da burqa, na minha cabeça a discussão deveria estar um pouco mais além: por que não simplesmente proibir o islamismo como religião e pronto?
Acaba com essa palhaçada.

E eu vou dizer porque eu sou 100% a favor da extinção do islamismo como religião:

* Os homens árabes/muçulmanos/palestinos, são sem dúvida violentos com as mulheres árabes e muçulmanas.

* Os assassinatos de honra de filhas e irmãs pelos seus pais e irmãos é um fenômeno bem conhecido em Gaza e na Cisjordânia.

* "Souad" a duras penas sobreviveu após ser assada pela sua família na Cisjordânia por ter engravidado do homem que lhe prometera matrimônio.

* Asma'a al-Ghoul foi queimada por escrever uma série de artigos sobre os crimes de honra na Cisjordânia e em Gaza.

* O Hamas mantém ocupada Gaza tanto militar como religiosamente. Desde que o fazem, mais e mais mulheres têm sido obrigadas a usar véu, e têm lugar cada vez mais matrimônios arranjados com meninas menores de idade.

* Sem dúvida, Hamas e outros grupos terroristas palestinos têm influenciado jovens palestinas a se converter em terroristas suicidas. Em 2002 manipularam a Wafa Idris, uma mulher com um quadro clínico depressivo, para que se imolasse, e em 2004 fizeram outro tanto com Reem al-Riyashi, uma mulher mãe de dois filhos, convencendo-a com ameaças de condená-la por um crime de honra. Em vez disso, ofereceram-lhe um "caminho à glória".

* Em 1992, Jean Sasson publicou "Princesa: a autêntica história da vida tras do véu em Arábia Saudi". A princesa saudi, à que não se menciona pelo seu nome na história que relata Sasson, narra o modo tipicamente cruel em que os pais, irmãos e maridos tratam às mulheres da casa. "A autoridade do varão saudi não tem limite; a sua esposa e filhos vivem só se ele assim o deseja. Das portas das casas para dentro ele é o Estado… Desde tenra idade, ao rapaz ensina-se-lhe que as mulheres têm pouco valor. Os rapazes observam o desdém com o que as suas mães e irmãs são tratadas pelo seu pai. E isto conduz ao seu próprio menosprezo face as mulheres. As mulheres do meu país são ignoradas pelo seu pai, desprezadas pelos seus irmãos e vítimas dos abusos dos seus maridos".

* A iraniana-suíza, Carmen bin Laden, no seu livro "Dentro do Reino" retrata a vida das mulheres sob o domínio dos varões saudis de modo semelhante. As mulheres não podem sair sem a companhia de um homem e não podem deixar o país sem permissão do homem e acompanhadas por ele. As filhas podem ser desposadas contra a sua vontade, o pai pode reclamar a custódia dos filhos e impedir que a sua mãe volte a vê-los. Carmen bin Laden escreve: "Raramente conheci uma mulher saudi que não tivesse pavor do seu marido. A mulher não pode fazer nada sem permissão do seu marido. Não pode sair, estudar, nem amiúde comer na mesa. As mulheres na Arábia Saudita devem viver sob a obediência, isoladas, e com medo a ser repudiadas e padecer um divórcio sumário".

* A Jordânia ocupa uma das primeiras posições em crimes de honra. Segundo Elaine Sheeley, no seu livro de 2007 "Reclamando a honra em Jordânia", cada ano acontecem na Jordânia entre 19 e 100 crimes de honra. Baseando-se no uso de outra autora das estatísticas da ONU, Sheeley cita também um número aínda muito maior de crimes de honra na Jordânia, Gaza e Cisjordânia (a cifra oferecida é de 2.550 crimes ao ano).

* No Egito a violência contra as mulheres é comum. Isto inclui a mutilação genital feminina, as surras nas mulheres, as surras nas filhas, os matrimônios arranjados – e, com o auge da Irmandade Muçulmana, o véu obrigatório para a mulher.

* As famílias palestinas, árabes e muçulmanas nunca intervêm quando um marido está golpeando à sua mulher. Muito pelo contrário. Tanto a família do marido como a própria família da mulher interpretam isso como um direito do marido ou como algo do que a mulher é culpável.

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Precisa de mais motivos?

Tirei boa parte dos fatos daqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Elenita

Eu geralmente não gosto de nada que a Elenita faz. Daí entro num e noutro site, leio uma e outra coisa e penso: claro, é isso!
E daí volto a amá-la.
Talvez você entenda por que, lendo esses trechos que selecionei do post que li aqui.

É tão claro que a Elenita não precisa do Big Brother. Veja bem. Todos ali precisam. A maioria porque quer seguir carreira artística. Um que quer se redimir (Dourado). Michel, Dicesar, Angélica, Tessália e Alex buscam/buscavam maior visibilidade no trabalho que já tem. A Elenita não precisa.

Ninguém entende que ela não precisa. Que ela não faz cena, como toda a pessoa que precisa faz. Ontem ela conversando com a Antamara, essa gritando "o quêêê, você querendo sair? É seu sonho!". E ela, "não é meu sonho". Antamara rebate "não é isso que sua família quer!", Elenita responde "minha família quer me ver bem, dentro ou fora do bbb". Porra, isso resume TANTA coisa.

Fernanda: Um mulher de vinte e poucos achar que não-merece o castigo, quando alguém TEM QUE ser escolhido. PORQUE ELA É TÃO BOA PARA SER PUNIDA, NÉ? E o Brasil fica com pena tadinha-19-horas-em-pé-e-dão-o-monstro-pra-ela.

* E na boa, mesmo que eu continuasse detestando a Elenita, ela é beeeem melhor do que a insuportável Anamara e do que a mais-insuportável-ainda Lia, né? Votei na Lia tipo mil vezes. Agora vamos ver como fica hoje a noite... Ai ai...

Grrr... acabo com esse sofáaa!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Laicidade das escolas

Eu acho que a escola SEMPRE tem que ser laica. Sempre.
Não interessa se a entidade mantenedora é uma igreja. Não interessa se está escrito Franciscano no nome.
Lá dentro, nas aulas, é ciência que se ensina, não religião. É teoria da evolução. E pronto. E chega de aulas de religião.

É porque pensam que quem não aprende religião, não aprende moral.
Pensam que o mundo dos ateus é um mundo sem solidariedade, sem compaixão, de putaria pura e plena. Porque, se não crê em vida depois da morte, não tem motivo para preservar nada nem cuidar de nada. É isso que alegam contra os ateus. Então as crianças TEM que ter aulas de religião. Porque sem religião vão virar monstros. Vão roubar, vão matar, vão ser inconseqüentes e bandidos. Porque, sabe, é a religião que ensina a gente a andar na linha. É o medo da punição e o medo de passar a eternidade no inferno que faz com que nós não matemos uns aos outros. Veja só! A religião! Tipo a Igreja Católica, sabe? Aquela mesma que cometeu e incentivou e financiou as maiores atrocidades da história do mundo. Aquela mesma que ensinou aos brancos que negros não têm alma, por isso não faz mal se sofrerem. Aquela mesma que ensinou aos humanos que bichos também não sofrem, então podem ser maltratados. Há.

Só que não é bem assim. Até já fizeram pesquisas, procurei e não achei. Que diz que os ateus fazem trabalho voluntário muito mais do que pessoas de qualquer religião. É verdade. Uma hora acho e posto.

Mas fugi completamente do assunto. Não queria dizer que estudar em uma escola laica significa automaticamente ser ateu. Porque não significa mesmo. Estudar em uma escola laica significa ser mais crítico e mais consciente das coisas ao seu redor. Significa não ter o pensamento embotado por dogmas e crenças e fanatismos. Religião pode ter, claro que vai ter, mas aos domingos, na missa. Ou em casa. Não na escola. Escola não é lugar para baboseiras como o criacionismo. Ops, fugi de novo. É que o problema não é o criacionismo em si. Até acho que as crianças devem aprender como metade do mundo acha que foi criado. Aprender assim, como fábula, pra todo mundo rir junto e tal. Mas o problema específico com a religião é as besteiras cretinas que ela (todas elas) ensina sobre mulheres e sobre homossexuais.

A escola não pode, NUNCA, ser um lugar onde se ensina intolerância. Na escola NUNCA se pode dizer/ensinar que homossexualismo é errado. Muito menos as outras coisas que a gente escuta por aí, que é nojento, que vai para o inferno, etc etc etc. Na escola NUNCA se pode dizer/ensinar que o papel da mulher é cuidar da família e submeter-se ao homem. Isso tudo é coisa da religião. É sim. Se não houvesse religião, não haveria tanto preconceito.

Daí as igrejas berram. Que isso é fascismo. Isso de proibir a disseminação do preconceito. É fascismo. Dizem que é um princípio fundamental da lei de educação que as crianças têm de ser educadas de acordo com os desejos de seus pais. Eles atacam os tolerantes justamente nesse argumento. São tolerantes os que pregam a laicidade do ensino, pois querem que não exista mais preconceito e que haja harmonia no mundo. São tolerantes e pregam a tolerância. Daí quando conseguem fazer algo a favor da tolerância, os religiosos dizem que estão sendo intolerantes pois não estão respeitando o posicionamento religioso sobre tal assunto. E daí eles (os tolerantes) calam a boca, né, porque querem continuar sendo tolerantes e não se sentem no direito de intolerar alguma coisa.

Eu li um dia uma frase massa que meio que virou meu motto: não podemos ser TÃO tolerantes a ponto de tolerar a intolerância.

Eu não gosto de quem ensina a ignorância, eu não gosto de quem diz que homossexualismo é pecado, eu não gosto de quem diz que lugar de mulher é esquentando barriga no fogão e eu nunca, nunca, nunca vou aceitar que se ensine isso em escolas, sejam lá quais escolas forem.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Mais um da Mary W.

* A discussão sobre homofobia, então, ganhou o contorno mais preconceituoso do mundo. Quando dizem que deveria existir uma camiseta 100% branco. Mesma lógica. Começaram a dizer que o Dourado era vítima de heterofobia. Olha. Essa palavra é tão cruel que eu queria passar o programa todo sem tocar nela. É preciso que alguém seja um autêntico canalha para usá-la. É preciso que a pessoa nunca tenha lido uma droga de um livro de sociologia ou filosofia. É preciso que o significado do conceito de relativização seja completamente ignorado.

* Não existe heterofobia porque nós vivemos num mundo heterocentrado. Todos os valores e fundamentos tentam reforçar, pra todos nós, a sacralidade do casal heterossexual. Não existe vida fora da heterossexualidade. Um hetero não corre o risco de perder o emprego por conta de orientação. Um hetero não tem que esconder desejos, sentimentos e relacionamentos. Não existe um ambiente hostil para a heterossexualidade. Não existe a zombaria e os olhares. As piadas e insinuações.

* Quando uma colega sua é zoada na base do será que ela é? a resposta vem rápida "tá me estranhando", "deus me livre", "credo". Quantos "credo" um gay escuta por dia em referência à orientação sexual? "Que desperdício fulana ser lésbica".

* Homofobia não é apenas atacar gay. É preciso ser um completo tapado pra não perceber as camadas do preconceito e quando ele é sutil. Como o Dourado não bateu no Dicésar, ele não é homofóbico. Faça-me o favor. A negação da nossa subcultura é homofobia. Você não tem espaço no meu mundo e eu odeio o mundo que você construiu.

O texto completo, aqui.

Ei! To tentando descansar!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Colar elisabetanoooo!



Cristovam Buarque

Porque ele é tudo de bom que o Brasil precisa.

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Há cem anos, morria o maior dos abolicionistas


Professor (UnB) e senador (PDT-DF) - gabriel.reis@senado.gov.br

Em solenidade na Academia Brasileira de Letras, Marco Vinicios Vilaça lembrou a frase de Joaquim Nabuco: "Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão".

A frase de Nabuco, repetida por Vilaça na ABL, mostra a grandeza do maior de todos os pernambucanos, que morreu há exatos cem anos. Ele foi político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir; pensador e ativista com causa; principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil. Mas, apesar da vitória conquistada, reconhecia que a tarefa libertária não estava conquistada.

A obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos, ainda, sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.

Se estivesse vivo, Nabuco olharia ao redor e se ressentiria de uma obra incompleta porque nós, seus sucessores, não fizemos o que ele defendia nas campanhas para deputado por Pernambuco: dar terra aos escravos e educação para os filhos deles. Sem isso, 121 anos depois da abolição, o Brasil continua um país escravocrata.

Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante por falta de qualificação.

Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na casa grande ou na senzala. Até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade. Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.

Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a Lei do Ventre Livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o Bolsa Família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.

Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos, negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase abolição de 1888. Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.

Cem anos depois da morte do pernambucano Joaquim Nabuco, lembrou bem o pernambucano Vilaça ao dizer que a obra criada pela escravidão continua. Por negar educação de qualidade a todos, continuamos insistindo na permanência da obra maldita, que Nabuco ousou enfrentar.



Publicado em: 05/02/2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Maria Montessori

Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter capacidade de amar. A educadora acreditava que esses seriam os fundamentos de quaisquer comunidades pacíficas, constituídas de indivíduos independentes e responsáveis.

Que bom que mais gente pensa assim. Pois eu, sinceramente, achei que fosse a única no mundo.

* Maria Montessori era uma educadora italiana, conhecida mundialmente pelo Método Montessori de ensino, para crianças desde o nascimento até a adolescência.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nelsinho

Eu pensei muito será que eu ia postar algumas fotos mais "pesadas" aqui... A situação do Nelsinho é bem calamitosa, e olhar pra ele e para os ferimentos dá vontade de chorar.


Mas acho que as pessoas precisam ver. Esse modesto e bobo blog tem média diária de visitas de 30 pessoas. Se dessas 30 pelo menos 10 ficarem com pena dele e decidirem não dar um destino semelhante ao seu bichinho, eu acho que já fiz a minha parte.


É muito fácil falar que ele está com buracos por causa das bicheiras, e que as almofadas das patinhas dele estão pela metade devido as queimaduras de asfalto. Você pensa ah que pena! e toma mais um gole de refrigerante e segue adiante. Isso é pouco. Queria que todos os que vissem as fotos levassem um choque mesmo, e pensassem duas vezes antes de passar reto por um cachorrinho abandonado na rua.


Pois esse cachorrinho pode estar na mesma situação que o Nelsinho, ou pior. Talvez a morte seja uma questão de horas, se ninguém tiver o bom coração de parar e fazer alguma coisa.


Minha mãe é contra. Até a vet diz que eu deveria andar pelas ruas com os olhos fechados, para parar de arrumar problema. Mas tem algumas coisas que para mim não são uma escolha. Ver um bichinho sofrendo me deixa sem escolha, sem livre arbítrio. Eu não tenho a opção de passar reto e só torcer para o melhor.


Tenho muita sorte de ter um companheiro que pensa como eu. Nós nos apoiamos incondicionalmente e sabemos que não temos escolha, e temos que ajudar. A gente sabe que tem que fazer o que estiver ao nosso alcance para salvar quem quer que cruze o nosso caminho. Porque ignorar é muito mais doloroso. Deitar pensando no que terá acontecido é quase impossível. Consciência, sabe. Nós dois temos isso.


Espero que você sinta muita, mas muita pena mesmo do que esse anjinho tem passado. Essas fotos foram tiradas depois de uma semana de cuidados em casa. Mesmo depois de uma semana, ainda sai sangue das patas dele. Ele come bem e agora até consegue abanar o rabinho quando chegamos em casa. Mas preferimos que ele não ande muito por enquanto, pelo menos até as patinhas melhorarem.



Ele é um doce. Pena que não gosta de gatos, e mesmo andando devagar tenta pegar quando algum deles cruza o caminho! Continuamos com os banhos diários (como é difícil dar banho em cachorro todo santo dia!!!) e só parei com o barbatimão porque acabou o algodão aqui em casa. Mas os buracos do peito já estão quase 100%, não são mais buracos, estão rente a pele. Ainda está em carne viva, mas a recuperação foi rápida.


O buraco na virilha também está fechando rapidamente, a pele que estava solta já está colada de novo e o buraco já diminuiu quase 50%. O que está demorando mais é o buraco do joelho, que parece até que aumentou. Mas nada que mais uma semana não resolva...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Túnel do tempo: O menino certinho

Esse texto eu escrevi em 05 de julho de 2004. Naquela época eu dava aulas aos sábados a tarde, e tinha um aluno que era simplesmente perfeito. Mas não perfeito no sentido romântico, perfeito no sentido que nunca faz nada errado. Eu ainda lembro bem dele, queria saber como ele está agora, se ele se rebelou e virou punkzera e anda pixando os muros da cidade. Mas acho que ele deve ser contador em alguma grande empresa, pq ele tinha a maior cara disso.

****

Algumas pessoas são perfeitas. Algumas pessoas saem de casa num sábado à tarde com o cabelo tão perfeitamente arrumado com gel de forma que horas e horas passam e nenhum fiozinho saiu do lugar. Algumas pessoas são bons filhos, bons namorados, bons alunos, bons amigos, não falam palavrão, não julgam, não odeiam, não maldizem, não erram.

Sim, acredite. O ditado ninguém é perfeito é falso. Tem gente perfeita sim. Tem gente que come só comida saudável, que é sempre honesto e sincero, que é culto, inteligente, bonito e feliz, que paga seus impostos e respeita as leis, que é razoável e ponderado, que não precisa errar para aprender, que faz seu trabalho sempre em dia e com excelência, que lembra dos aniversários de todos os amigos e familiares, que planeja e depois CUMPRE. E ainda por cima é feliz!
Essa história do ninguém é perfeito é só uma balela para que consigamos conviver em paz com a nossa imperfeição. Fez bem o cara que inventou isso. Impediu muitos suicídios.

Todo mundo quer uma pessoa perfeita ao seu lado. Ou pensa que quer. Ou diz que quer. Ou tem esperança de ter. Enfim.
O que temos que ser nessa vida então? E se todos conseguissem ser perfeitos? Se tudo fosse simples e definido na nossa vida? Seríamos felizes com tanta perfeição à nossa volta?

Ao pensar nessa pessoa perfeita, nessa descrição que eu escrevi acima, questiono se seria realmente feliz nesses moldes. Tá, parece papo de eu sou mais feliz assim barriguda e irresponsável, é melhor pra mim. Mas... Pode até ser um mecanismo da minha própria cabeça, motivado pelo tal ditado.
A vida é feita de coisas imprevisíveis, de erros, de amores, de chutes na quina da cama, de lutas válidas ou não, de irresponsabilidades também, por que não? Assim a gente ri, a gente chora, a gente é feliz e sofre (e só quando sofre descobre o quanto é bom ser feliz), sente medo, pede ajuda, oferece abrigo, PULSA. Como pessoas que somos, como humanos que devemos ser e como adultos que queremos ser.

E o menino perfeito, é feliz? Deve ser, ué. Eu que não seria, acho, se fosse ele.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Onde você guarda o seu racismo?

Se tem uma coisa que eu acho muito, mas muito engraçada, é quando alguém afirma (geralmente de maneira veemente) que não existe racismo no Brasil. Não sei em que mundo essas pessoas vivem. Mas não deve ser na Terra, e muito menos no Brasil.

Pergunte a qualquer negro... Se ele já sofreu preconceito. Vai se surpreender com as respostas. Capaz até de chorar.

Porque eu choro. Com muita freqüência, quando o assunto é esse. Choro porque não consigo acreditar que ainda existam pessoas que julguem alguém pela cor da pele. Choro de vergonha pelos meus semelhantes humanos. Choro por me colocar no lugar das pessoas que sofrem preconceito. Fico imaginando como ela se sentiu ao ouvir aquela declaração preconceituosa. Fico imaginando como deve ser andar na rua todos os dias e ver pessoas atravessando a rua por achar que você é um agressor em potencial. Imaginando como é alguém se recusar a lhe apertar a mão. Você acha que isso não acontece?

Pergunte a qualquer negro.
QUALQUER.

Encontrei esse vídeo, maravilhoso, no YouTube. Não sei de que campanha que é, não sei onde passou, não sei nem de quando é. Mas, pra variar, chorei né.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Mais uma cirurgia...

Xurupitinho está doente de novo. Não vai ao banheiro desde quinta.
Levamos ao vet e amanhã, mas uma cirurgia. Agora vão retirar todo o intestino grosso dele.
O vet acha que isso não tem a ver com a mordida do cachorro (da qual salvamos a vida dele), e que talvez já fosse uma predisposição dele.


Estou triste, pois faz pouco mais de um mês que ele fez a cirurgia de fecaloma.
Nem acredito que teremos que passar por tudo isso de novo. Mas pelo menos, diz o vet, depois de retirar o intestino grosso, ele vai ter uma vida normal, e talvez nem precise mais da ração caríssima que está comendo atualmente.

Turma pequena

"Pertencer a uma turma pequena nos primeiros anos de escolaridade traz vantagens que são visíveis ao longo de todo o percurso escolar", defendem investigadores em Pedagogia da Universidade Northwestern (EUA). E os maiores beneficiados parecem ser os alunos com mais dificuldades.

De acordo com um estudo levado a cabo pela equipa de cientistas, as crianças que pertenciam a turmas que tinham até 17 alunos nos primeiros anos de escolaridade apresentavam notas substancialmente mais elevadas no 8.º ano, quando comparadas com crianças originárias de turmas maiores. O fenómeno é ainda mais notório nos desempenhos de leitura e ciências que são atingidos por estudantes que habitualmente lidam com dificuldades."

****

Eu adoro turma grande. Adoro aquele burburinho, as perguntas, aquela bagunça organizada. Por mim, só ensinaria turmas de 50 alunos. O grande problema é que isso só tem alguma chance de dar certo se for uma turma de 50 alunos interessados.
E isso hoje nós não temos. Em uma turma de 50 alunos, seja de crianças/adolescentes na educação básica ou em cursos livres com adultos, eu diria que menos de 10 estão realmente interessados. O que é uma pena, claro.

Por isso que alunos de turmas pequenas se dão melhor. Não é porque tem a atenção do professor mais do que em uma turma grande. É simplesmente porque tem o professor para EMPURRÁ-LO para frente. Pra frente em uma turma de 50 ele não iria, pois se esconderia no fundo da sala e passaria a aula inteira trocando SMS com a namorada. Em uma turma de 17 alunos as chances de ele conseguir fazer isso sem que o professor perceba são mínimas. Ele tem que prestar atenção e pronto. Se ele não prestar atenção, o professor consegue tempo para ir até a carteira dele e conversar, ou mesmo depois da aula. Há maneiras de motivar mais o aluno quando ele está em um grupo pequeno. Não formam as panelinhas tão facilmente (ou gangues). Não conseguem atormentar os outros com bullying, pois o professor vê e intercede. Não consegue fazer quase nada que vá prejudicá-lo em sala de aula.

E então o professor, que deveria ser um multiplicador de conhecimentos, acaba virando polícia desses 17 alunos. Só é bom e só funciona porque tem guarda suficiente para conter esse número de prisioneiros. Professor como fiscal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aos donos do Nelsinho

Nós encontramos o seu cachorro.
*Ele passou pelo Nelsinho na rodovia, que estava no meio de uma poça de água/lama, bebendo. Viu que tinha alguma coisa errada... Parou o carro, chamou. Ele deu um passo e não conseguiu mais andar.

O Nelsinho devia ser um cachorro lindo, um fox paulistinha com o rabinho cortado e tudo. Por isso nós sabemos que ele teve dono, por isso nós sabemos que vocês existem. Hoje não dá mais para ver quão lindo ele era, pois está totalmente debilitado devido aos males que vocês impuseram a ele.

Vocês foram provavelmente para a praia, e não tinham onde deixar o Nelsinho. Por isso, a decisão mais acertada e econômica, na cabeça de imbecis como vocês, era largá-lo no asfalto, certo? Afinal, ele conseguiria se virar sozinho.


Mas não, cachorros em geral não tem muito sucesso se virando sozinhos em beiras de rodovias. Como resultado, seu cachorro ficou dias, semanas, talvez até meses vagando pelo asfalto quente, procurando por vocês e tentando voltar para casa. Um asfalto tão quente que as almofadas das patinhas dele estão pela metade, derreteram queimadas, estão em carne viva e ele mal consegue ficar de pé. Além disso, o Nelsinho ainda teve o azar de se machucar e ser infestado por bicheiras. No joelho, na virilha, no peito. Para completar o quadro de terror que vocês impuseram a ele, também passou fome - é o cachorro mais magro que já vi em minha vida.

Ele foi trazido para a minha casa. Comeu muito. Bebeu muita água. Tomou banho. No veterinário, tomou um remédio para eliminar as bicheiras. Logo as larvas começaram a cair dos ferimentos, e eu nem consegui contar, tamanho era o número. Larvas grandes, gordas, que deviam estar há um bom tempo se alimentando da carne do Nelsinho.

E então, finalmente, depois de talvez meses, ele teve uma noite tranquila. Pôde dormir sem a sensação de bichos entrando em si, se movimentando, comendo de sua carne. Pôde dormir sabendo que a seu lado havia um porte de água e outro de ração, e que essas coisas simples e básicas não faltariam mais para ele.


Hoje faz 5 dias que ele foi resgatado. Ele ainda não consegue andar, as feridas deixadas pelas bicheiras são muito grandes, e estão demorando a cicatrizar. Ele sente dor constante. Como tratamento, banhos diários com xampú especial, e um experimento de fitoterapia: aplicação de chá de Barbatimão nos ferimentos. Espera-se que acelere a cicatrização.

Até agora, nesses 5 dias, ele não soltou um pio. Não latiu. Não chorou. Não gemeu de dor. Não uivou. No banho, mesmo com a dor, ele levanta as patinhas para que eu lave as queimaduras. Ele é um cão comportado demais, daí a minha indignação ser ainda maior com relação ao abandono dele.


Será que vocês pensam nele? Em como ele está? Se ele sobreviveu? Será que, por alguns instantes, vocês se arrependem de tê-lo deixado na beira do asfalto, para morrer?

Deus queira que vocês nunca mais tenham um bichinho de estimação.
Espero que vocês morram.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pirocóptero


Amei!

Quero de volta!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Putz!


Da Folha de S.Paulo

SP admite ter de usar professor reprovado

Estado anuncia que, por dificuldades em preencher vagas, poderá ter de requisitar docentes temporários com nota vermelha

A prova foi adotada em 2009 pela gestão Serra; na época, o governo disse que iria barrar quem não atingisse a nota mínima...