quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Túnel do tempo: O menino certinho

Esse texto eu escrevi em 05 de julho de 2004. Naquela época eu dava aulas aos sábados a tarde, e tinha um aluno que era simplesmente perfeito. Mas não perfeito no sentido romântico, perfeito no sentido que nunca faz nada errado. Eu ainda lembro bem dele, queria saber como ele está agora, se ele se rebelou e virou punkzera e anda pixando os muros da cidade. Mas acho que ele deve ser contador em alguma grande empresa, pq ele tinha a maior cara disso.

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Algumas pessoas são perfeitas. Algumas pessoas saem de casa num sábado à tarde com o cabelo tão perfeitamente arrumado com gel de forma que horas e horas passam e nenhum fiozinho saiu do lugar. Algumas pessoas são bons filhos, bons namorados, bons alunos, bons amigos, não falam palavrão, não julgam, não odeiam, não maldizem, não erram.

Sim, acredite. O ditado ninguém é perfeito é falso. Tem gente perfeita sim. Tem gente que come só comida saudável, que é sempre honesto e sincero, que é culto, inteligente, bonito e feliz, que paga seus impostos e respeita as leis, que é razoável e ponderado, que não precisa errar para aprender, que faz seu trabalho sempre em dia e com excelência, que lembra dos aniversários de todos os amigos e familiares, que planeja e depois CUMPRE. E ainda por cima é feliz!
Essa história do ninguém é perfeito é só uma balela para que consigamos conviver em paz com a nossa imperfeição. Fez bem o cara que inventou isso. Impediu muitos suicídios.

Todo mundo quer uma pessoa perfeita ao seu lado. Ou pensa que quer. Ou diz que quer. Ou tem esperança de ter. Enfim.
O que temos que ser nessa vida então? E se todos conseguissem ser perfeitos? Se tudo fosse simples e definido na nossa vida? Seríamos felizes com tanta perfeição à nossa volta?

Ao pensar nessa pessoa perfeita, nessa descrição que eu escrevi acima, questiono se seria realmente feliz nesses moldes. Tá, parece papo de eu sou mais feliz assim barriguda e irresponsável, é melhor pra mim. Mas... Pode até ser um mecanismo da minha própria cabeça, motivado pelo tal ditado.
A vida é feita de coisas imprevisíveis, de erros, de amores, de chutes na quina da cama, de lutas válidas ou não, de irresponsabilidades também, por que não? Assim a gente ri, a gente chora, a gente é feliz e sofre (e só quando sofre descobre o quanto é bom ser feliz), sente medo, pede ajuda, oferece abrigo, PULSA. Como pessoas que somos, como humanos que devemos ser e como adultos que queremos ser.

E o menino perfeito, é feliz? Deve ser, ué. Eu que não seria, acho, se fosse ele.

Um comentário:

Naru Bernardi disse...

Eii,
vlws pelo comentário no blog!
seu post aqui tbm me fez realmente pensar! E os seus gatos são lindos!