sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aos donos do Nelsinho

Nós encontramos o seu cachorro.
*Ele passou pelo Nelsinho na rodovia, que estava no meio de uma poça de água/lama, bebendo. Viu que tinha alguma coisa errada... Parou o carro, chamou. Ele deu um passo e não conseguiu mais andar.

O Nelsinho devia ser um cachorro lindo, um fox paulistinha com o rabinho cortado e tudo. Por isso nós sabemos que ele teve dono, por isso nós sabemos que vocês existem. Hoje não dá mais para ver quão lindo ele era, pois está totalmente debilitado devido aos males que vocês impuseram a ele.

Vocês foram provavelmente para a praia, e não tinham onde deixar o Nelsinho. Por isso, a decisão mais acertada e econômica, na cabeça de imbecis como vocês, era largá-lo no asfalto, certo? Afinal, ele conseguiria se virar sozinho.


Mas não, cachorros em geral não tem muito sucesso se virando sozinhos em beiras de rodovias. Como resultado, seu cachorro ficou dias, semanas, talvez até meses vagando pelo asfalto quente, procurando por vocês e tentando voltar para casa. Um asfalto tão quente que as almofadas das patinhas dele estão pela metade, derreteram queimadas, estão em carne viva e ele mal consegue ficar de pé. Além disso, o Nelsinho ainda teve o azar de se machucar e ser infestado por bicheiras. No joelho, na virilha, no peito. Para completar o quadro de terror que vocês impuseram a ele, também passou fome - é o cachorro mais magro que já vi em minha vida.

Ele foi trazido para a minha casa. Comeu muito. Bebeu muita água. Tomou banho. No veterinário, tomou um remédio para eliminar as bicheiras. Logo as larvas começaram a cair dos ferimentos, e eu nem consegui contar, tamanho era o número. Larvas grandes, gordas, que deviam estar há um bom tempo se alimentando da carne do Nelsinho.

E então, finalmente, depois de talvez meses, ele teve uma noite tranquila. Pôde dormir sem a sensação de bichos entrando em si, se movimentando, comendo de sua carne. Pôde dormir sabendo que a seu lado havia um porte de água e outro de ração, e que essas coisas simples e básicas não faltariam mais para ele.


Hoje faz 5 dias que ele foi resgatado. Ele ainda não consegue andar, as feridas deixadas pelas bicheiras são muito grandes, e estão demorando a cicatrizar. Ele sente dor constante. Como tratamento, banhos diários com xampú especial, e um experimento de fitoterapia: aplicação de chá de Barbatimão nos ferimentos. Espera-se que acelere a cicatrização.

Até agora, nesses 5 dias, ele não soltou um pio. Não latiu. Não chorou. Não gemeu de dor. Não uivou. No banho, mesmo com a dor, ele levanta as patinhas para que eu lave as queimaduras. Ele é um cão comportado demais, daí a minha indignação ser ainda maior com relação ao abandono dele.


Será que vocês pensam nele? Em como ele está? Se ele sobreviveu? Será que, por alguns instantes, vocês se arrependem de tê-lo deixado na beira do asfalto, para morrer?

Deus queira que vocês nunca mais tenham um bichinho de estimação.
Espero que vocês morram.

Um comentário:

Geórgia disse...

Nossa que maldade... nunca vi um cachorro tão magrinho... deu um aperto no peito agora. Eu não entendo quem tem sangue frio assim pra deixar um amigo na beira da estrada, porque a pessoa sabe que ele vai morrer logo, logo atropelado ou ficar como esse aí agonizando. Espero que ele sare logo e encontre um dono bem legal, que saiba valorizá-lo e que lhe dê muito carinho. Ai que raiva desse povo sem coração!