terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu vivo pra isso. - Rapidinhas

Ai...
Amei né.

Amei que ontem concluí a última disciplina do terceiro semestre de Pedagogia. E foi lindo que na prova caiu tudo que eu sabia. Linguística, dominei você.
Eu não canso de falar que a minha média geral está em 9,7. E vai continuar. Porque meudeus como eu estudo... Não parece, eu sei, pq passo o dia inteiro no Twitter. Mas eu sou multitarefa, e estudo pacas mesmo tuitando asnices durante todo o dia.

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Odiei.
Odiei infinitas vezes a Ariadna ter saído do BBB.
Porque não tem desculpa né. Ela não é chata, ela não brigou com ninguém, ela não fez absolutamente nada de errado.
Eu quero perguntar pras pessoas na rua por que é que elas votaram na Ariadna. Eu quero saber o que os outros viram de tão ruim que eu não vi. Quero saber. Mas tô morrendo de medo de descobrir o que já desconfio: foi puro preconceito. O Brasil odeia a diversidade, ok, anotado aqui.

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Eu tô numa fase toda nova. Meu horóscopo já disse. Disse que em janeiro eu concluo um período muito difícil da minha vida, que já durava 2 anos. Olha só, mas que coincidência. Vivi 2 anos de verdadeiro inferno. Sofri como nunca pensei que fosse sofrer. E passei exatos 10 meses absolutamente recolhida, lambendo as minhas feridas, esperando por dias melhores.

E daí fiz aniversário. E foi demais pra minha cabeça. O dia anterior ao meu aniversário foi, tranquilamente, o dia mais feliz dos últimos 5 anos. Eu estava eufórica. Elétrica. Quase histérica. Pode olhar os meus tuítes do dia. Estava mesmo. Estava sambando ao som de Seu Jorge, uma música que nem é alegre, mas é linda e me faz ter vontade de rebolar e batucar. E todo dia desde então tem sido assim. Uma felicidade que não cabe em mim. Que loucura isso... Sentir que, finalmente, eu me completo de novo. Eu sou a tampa da minha própria panela.

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Uma pilha de livros pra ler. Vou reler Backlash primeiro, porque estou participando do Círculo de Leitura com as minhas moliéres.
Daí tem Casa Grande & Senzala, que prometi pra mim mesma que ia ler esse ano.
E depois uns outros de Linguística, porque eu super amei o assunto.

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2011, vc vai ser tudo de bom, que eu sei!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

I have a dream

E então que hoje é Martin Luther King Day.

Esse cara foi O cara. Não tem como assistir ao discurso mais famoso dele, I have a dream, e não se emocionar. E fico muito surpresa de saber que isso tudo aconteceu ainda ontem. Ainda ontem, agorinha, em 1963. Pensa bem cara... Há somente 48 anos, negros não podiam votar em muitos estados dos EUA. Negros tinham banheiros separados. Negros ocupavam a parte de tras dos ônibus. Umas coisas assim que na nossa cabeça fazem parte da Idade Média. Mas não. Foi ontem.

Eu acho interessante quem acha que pá, que tá tudo bem hoje em dia. Que meritocracia existe e funciona, ainda mais aqui no Brasil. Que é só lutar e se esforçar, e o céu é o limite - afinal, olha só o exemplo do Sílvio Santos né? Bem coisinha da direita isso, e bem por isso que eu odeio qualquer coisa que lembre a direita.

Vamos tirar 5 segundos, em memória de Martin Luther King e repensar saporra toda de meritocracia. Né? 49% do Brasil é de negros/pardos. Mas essa proporção não existe em cargos de chefia, em cargos políticos, em escolas particulares, em universidades. Enquanto 26% de pretos e 30% de pardos ganham ATÉ 1/2 salário mínimo, apenas 12% de brancos está nessa mesma situação.

Então... Meritocracia né?

É só se esforçar um pouco, batalhar, e daí a gente chega lá. O que significa, logo, que mais ou menos 30% de pardos e pretos são simplesmente... VADIOS? Não, não pode ser, eu conheço vários que são trabalhadores. Então... Eles só tem menos capacidade, é isso? São... mais burros? Talvez alguma falha genética então?

Porque, se não existe preconceito nesse paraíso que é o Brasil, temos que achar uma outra explicação, né?

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Na verdade, quando eu finalmente desmistifiquei esse lance todo de meritocracia foi que a minha visão DE MUNDO mudou. Comecei a ver TUDO com outros olhos. E comecei a me revoltar toda vez que ouço/vejo um discurso pregando o esforço pessoal como solução de todos os problemas. Aham, Claudia, senta lá.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A tia solteirona

Tem uma coisa específica que tem me incomodado muito nos últimos tempos, que é o rótulo de tia solteirona. Até porque esse é um conceito totalmente construído e embutido em nossas mentes desde que nascemos. Uma coisa tão bem feita e tão bem tecida que a gente até pensa que chegou a essa conclusão sozinhos, por observação.

"Um levantamento de 1990 descobriu que quase 60% das mulheres solteiras acreditavam ser muito mais felizes do que as suas amigas casadas e que as suas vidas eram 'muito mais despreocupadas'"

Claro, talvez isso tenha chamado tanto a minha atenção porque eu sou solteira. E recebo olhares e conselhos e ajuda de amigas casamenteiras. Mas chamou muito mais por observar ao meu redor como as mulheres em geral têm horror a essa possibilidade, a possibilidade de chegar a certa idade sem um marido para chamar de seu. O pesadelo de ficar pra titia. E o desespero de se agarrar em qualquer fio desencapado só porque não consegue ficar sozinha. Huh?

"A maioria das solteiras entre 45 e 60 anos afirmava não desejar o casamento."

É que a gente aprende desde pequena, né. Menina, não senta de perna aberta. Menina, não fala palavrão. Sempre (ou quase sempre) conselhos válidos, claro, mas seguidos da pior ameaça do mundo: assim ninguém vai querer namorar com você! Também tem o velho quando casar sara. Que no começo eu entendia como: vai demorar muito pra você casar, então vai dar tempo de sarar. Mas li em algum lugar e faz todo sentido do mundo: casar acaba com todos os seus problemas e com todas as suas dores.

Não, né?

"Uma análise dos dados de pesquisas oficiais do governo realizadas nos anos 70 e 80 registrou um aumento de felicidade de 11% entre as mulheres solteiras de 20 e 30 anos - e uma queda de 6,3% entre as casadas com a mesma idade. [...] Após entrevistar 60 mil mulheres, descobriu-se que só a metade delas gostaria de se casar novamente com o marido se tivesse que fazer tudo de novo."

Quando eu trabalhei numa escola aqui em Blumenau, lembro de todas as mulheres sentadas na mesa almoçando e revezando para falar mal do marido. Marido que não ajuda, marido que só quer saber de pescar, marido que não deixa usar mini-saia, marido que não gosta de dançar e não deixa a mulher dançar com outros. Não era só falar por comentar, era um discurso carregado de mágoa e ressentimento, boa parte delas não era feliz no casamento MESMO, e não amava mais seu marido há muito tempo. Mas ficar solteira? Deus me livre!

"Se há um padrão que os estudos psicológicos demonstraram é justamente aquele que diz que a instituição do matrimônio tem um efeito imensamente benéfico na saúde mental do homem. 'Estar casado', avaliou uma vez o eminente demógrafo do governo Paul Glick, 'é cerca de duas vezes mais vantajoso para o homem do que para a mulher em termos de sobrevivência.'"

E em determinado momento uma delas olhou para mim e disse: a Geórgia é feliz e não sabe!!! Respondi na lata, sem nem titubear: sei sim!!! E como sei!

Mas não é que eu seja contra o casamento/união/relacionamentos em geral. Não mesmo. Adoro namorar, adoro estar apaixonada, adoro sentir borboletas no estômago. Mas sou 100% contra essa cultura que reina, a do antes mal acompanhado do que só. Essa crença universal que uma mulher na minha situação, por exemplo, solteira aos 29 anos, seja infeliz, amarga, mal-amada, mal humorada - e que esteja desesperadamente a caça da tampa de sua panela. Eu ODEIO quando desejam que eu encontre um namorado (e sempre desejam, no Natal, Ano Novo e a cada aniversário). Como se arrumar um namorado fosse ser a solução de todos os meus problemas. Como se eu não tivesse outras prioridades. Como se não ter um compromisso sério me fizesse menos feliz e satisfeita com a minha vida. E tem mais né. Se a mulher é solteira, é porque ninguém a quis, então obviamente ela deve ter algum problema sério, ser frígida, ser louca ou ser promíscua. Mas nunca pode ser porque ELA não quis, porque ELA não encontrou ninguém que a fizesse realmente ter vontade de casar - ou porque ela simplesmente não quis encontrar.

"Os dados sobre saúde mental, registrados em dezenas de estudos sobre o casamento durante os últimos quarenta anos, são consistentes e inquestionáveis: o índice de suicídios em solteiros é o dobro comparado aos homens casados. Os solteiros sofrem quase duas vezes mais de graves sintomas neuróticos e são muito mais sujeitos a esgotamento nervoso, depressão e até pesadelos. E apesar da imagem tipicamente americana do caubói solteiro sem preocupações, na realidade o homem sozinho tem muito mais tendência a ser melancólico, passivo e cheio de fobias do que o casado. [...] Numa pesquisa, um terço dos solteiros apresentou graves sintomas de neurose: os mesmos sintomas só apareceram em 4% das mulheres solteiras."

Eu devo ter nascido em outro planeta mesmo, porque nunca me estressei com a solteirice. Namorei dos 16 aos 18 anos, e depois fiquei 7 anos solteira (sim, SETE ANOS). Daí namorei 3 anos e agora estou há 10 meses solteira. E pronta para encarar mais sete anos, se rolar. E morando onde eu moro, cercada de machistas, direitistas, conservadores e todos os outros xingamentos que para eles é elogio, as chances de eu morrer solteira são altíssimas. Ok, fine by me. Mas não vou namorar por namorar, só para dizer que estou com alguém, só para ter companhia na festa de fim de ano da empresa. Mas a pressão é tão grande, e a cara de pena das pessoas é tão genuína, que eu só fui descobrir que não, eu não estava louca, quando li Backlash, da Susan Faludi. Aliás, todas as citações desse post são desse livro.

"Em levantamentos nacionais, menos de um terço dos divorciados afirma terem sido eles que queriam o divórcio, enquanto as mulheres afirmam que estavam pedindo o divórcio em 55 a 66% dos casos. Os homens também ficam muito mais arrasados do que as mulheres com a ruptura - e o tempo não alivia a dor nem cura a ferida. Uma pesquisa sobre pessoas divorciadas descobriu, em 1982, que um ano após a separação 60% das mulheres consideravam-se mais felizes em comparação com apenas a metade dos homens; a maioria das mulheres disse que tinha mais respeito por si mesma, enquanto só uma minoria dos homens sentia o mesmo. A maior pesquisa de âmbito nacional sobre os efeitos a longo prazo do divórcio descobriu que cinco anos após a ruptura 2/3 das mulheres achavam que sua vida era mais feliz; só 50% dos homens tinham a mesma opinião. Chegando à marca dos 10 anos, os homens que diziam ter sua qualidade de vida estacionada ou piorada subia da metade para 2/3. Enquanto, depois do mesmo número de anos, 80% das mulheres diziam que o divórcio havia sido a decisão certa, somente 50% dos ex-maridos concordavam."

Mas a cultura reforça tanto o estereótipo da tia solteirona, que as mulheres não acreditam que exista felicidade na vida de solteira. Mesmo que os relatos, os depoimentos e estatísticas comprovem o contrário. Eu acho isso uma coisa muito louca. E acho que o livro tem razão, quando fala que muitas mulheres até então despreocupadas com o fato de estarem solteiras, começam a repensar isso depois de ver e ouvir tanta coisa sobre os males da vida sem casamento. Porque a gente não vê ninguém na TV exaltando os benefícios de ser solteira, ou simplesmente divulgando que mulheres solteiras também são felizes. A gente só vê o contrário. E daí a gente (eu inclusive, antes de ler Backlash) começa a pensar: hummm, eu sou solteira... Perae, tem alguma coisa errada.

E isso, queridas mulheres, é o backlash (que é um conceito sociológico, além de ser título de livro): uma reação popular negativa a alguma coisa (nesse caso, o feminismo) que ganhou popularidade, proeminência ou influência. É o reflexo de um ressentimento coletivo. De uma cultura que não pode aceitar que a solteirice seja benéfica para as mulheres, porque se for, ó Deus, o que será da família, do casamento, das crianças, da igreja, da direita reacionária, do conservadorismo? Tem que se lutar contra!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Da angústia de sair sozinha

Eu sempre saí sozinha.

Não importa a hora. Sempre. Acho que é algum resultado de ter crescido numa vizinhança super tranquila, onde no verão a gente até dormia com a porta da sala aberta pra entrar um vento. Nunca tive MEDO de nada, nem do escuro, nem de barata, muito menos de andar sozinha por aí.

E como na adolescência vim morar na região central de Blumenau, também me acostumei a ir a todos os lugares a pé ou de ônibus, sempre foi rapidinho e sussi. Claro que as vezes alguém mexia comigo, na verdade a quantidade de "mexidas" era cada vez maior conforme a noite ia adentrando, mas nada que não fosse administrável. Coisas que a gente - leia-se mulheres - já se acostuma desde sempre né?

Mas me assustei com o quanto a situação mudou de poucos anos pra cá. Passei uns bons 4 anos sem sair a noite, ainda mais sozinha, e ainda mais a pé. Então não sabia de como as coisas pioraram, e como pioraram MUITO!

Há mais ou menos um ano atrás saí com uma amiga minha. Fomos comer sushi (daí o pai dela nos levou) e depois quisemos dar uma esticadinha. Fomos caminhando do sushi até um barzinho MPB, que estava vazio, então fomos do barzinho até a Cachaçaria porque me deu um desejo de tomar a batida de melão com champagne deles, humm.

Mas, sério, eu não sei o que aconteceu com os homens nesse tempo em que eu estive reclusa. Porque essa caminhada de no máximo 30 minutos às 22h (mais ou menos) beirou o insuportável. Sem brincadeira e sem exagero, não teve NENHUM carro que passou e não mexeu com a gente. E nenhum pedestre também. E eram "mexidas" de todos os tipos. De "inocentes" assovios até palavras mais grosseiras, do nível mais baixo imaginável.

E que sensação horrorosa hein? Essa de estar sendo constantemente violentada. E é um medo constante. Medo de mandar tomar no cu, porque nunca se sabe se o(s) cara(s) é ou não um maluco que pode se ofender e vir nos agredir... E não podendo mandar tomar no cu, medo até de dar uma risada, por medo que o cara entenda como uma abertura e venha nos abordar. E caminhamos, cabeça baixa, falando o mínimo possível, em passos apertados, presas na condição de sermos mulheres - e desacompanhadas.

Porque é assim né. Mulher desacompanhada é claro sinal de 100% à disposição dos caprichos masculinos. Só podemos nos sentir seguras (e ainda assim nem tanto) se acompanhadas de um homem. Se sozinhas, é medo constante. Mulher sozinha não pode estar sozinha por opção, por querer simplesmente tomar um drink de melão. Se está sozinha, está a mercê, é só vir e pegar a sua.

Lembrei desse episódio numa discussão que tivemos recentemente na lista de discussão Blogueiras Feministas (quer nos acompanhar? entre aqui). Contei desse episódio e algumas meninas responderam que realmente, a coisa piorou de uns poucos anos para cá. E eu queria entender por quê.

E daí cheguei no blog da Lola (sempre a Lola né?) falando justamente sobre isso também. E como ela consegue expressar tão bem o que toda mulher pensa/sente sobre isso, resolvi colar as melhores partes aqui:

Esse terrorismo institucional que faz parte da criação de toda mulher, e que começa quando somos meninas de 8, 10 anos, pros homens é besteira. Eles também são educados, geralmente pelo pai, a dispararem grosserias a qualquer gatinha que passa. Faz parte da sua masculinidade. Opa, você achou exagerado eu chamar grosserias na rua de terrorismo? Então você só pode ser homem. Pergunte pra sua mãe, pra sua irmã, pra sua filha, que idade ela tinha quando ouviu a primeira cantada, e como se sentiu. Sei que a sociedade ou faz pouco caso desse nosso martírio do dia a dia, ou inventa que nós mulheres adoramos ouvir elogios como “Quero ser seu absorvente interno”, porque faz bem pra nossa autoestima.

O princípio da cantada na rua não é o elogio. Não é a proposta, o convite. Pelo contrário, é o insulto. É a dominação. É lembrar quem manda aqui. Só quem está numa posição de poder pode avaliar. Quem é subordinado é avaliado. [...] Todos os homens se acham no sagrado direito de avaliar o corpo de uma mulher. Só porque ele é homem, ela é mulher, e uma sociedade patriarcal totalmente ultrapassada decidiu que ele pode.

O post é esse AQUI, e os grifos são meus.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Adeus, ano velho

Ok, o ano ainda não acabou ainda, faltam alguns dias, mas... Pra mim, já era!

A verdade é que estou dando graças a D-us que o 2010 está acabando. Eita, que ano difícil!
Passou voando, claro. E foi repleto de conquistas. Mas, chega! Foi um ano de nivelar o terreno, de começar a construir, de organizar a minha vida que estava uma bagunça há algum tempo. Mas agora quero curtir um pouco mais, colher um pouco os frutos.

Vale a pena fazer uma retrospectiva, então!

Faculdade
Concluo o terceiro semestre em 17 de janeiro, mas claro que foi ótimo. Aprendi muito, li muito, me surpreendi muito por conseguir manter a minha média. Que está, aliás - momento exibidinha da estrela - em 9,7! Sim, fazendo a média de todas as disciplinas cursadas até agora, estou com 9,7! Isso é muito bom, uma baita conquista para mim, que demorei tanto tempo para voltar aos bancos escolares.
A Uniasselvi continua deixando a desejar, claro, mas nada que uma boa pesquisa bibliográfica e leituras complementares não supram. Vou me formar no final de 2012 (se o mundo não acabar antes). Já temos comissão de formatura, já contratamos a empresa que vai fazer a festa e já estamos pagando. Yay!

Relacionamento
Consegui, ao longo do ano praticamente inteiro, finalizar uma história antiga e sofrida. Finalizar mesmo. Algo que, na verdade, eu pensei que jamais teria fim, levando em conta a novela mexicana que foi desde o início.
E, claro, como todo final de história longa, algo complicado, difícil, sofrido. E que agonizou até o último momento, como um doente terminal lutando para viver. Mas morreu. :)
E agora curto a minha solteirice, a liberdade recém-adquirida e que eu achei que nem saberia mais como conviver com. Sair a hora que eu quero, chegar a hora q eu quero, não dar satisfação pra ninguém, deixar a pia cheia de louça e - ufa! - não precisar mais fazer janta todos os dias!

Gatos
Todos lindos, todos fofos, todos queridos. E eu, como sempre, completamente apaixonada por todos. Siamês foi embora, ficar com o pai dele, pois ele agredia muito a todos os outros. Fiquei com 7, esses que estão nas fotos aí do lado.
Xurupito, o eterno problemático, continua doentinho, e a meu ver, cada vez pior. As doses de Gardenal tiveram que ser aumentadas pois os ataques estão acontecendo com cada vez mais frequência. Ele está sempre tonto, sem equilíbrio, ou simplesmente dormindo o dia inteiro de tão chapado. Não sei se ele aguenta 2011 inteiro, e para compensar tento dar o máximo de carinho que eu posso para que ele passe esses que possam ser os seus últimos meses de vida sendo muito, mais muito amado.

Casa
Aqui mudou bastante coisa. Consegui me organizar com a questão limpeza/organização. Qualquer um que tenha muitos gatos, como eu, sabe que isso é bem complicado. Eita bicho bagunceiro e porquinho! Mas consegui, com uma lista de tarefas domésticas diárias colada na porta da geladeira. Faço cada dia um pouco, e assim tudo está sempre relativamente limpo. Antes era mais difícil pois o dia oficial de limpar a casa era domingo, e domingo eu estava sempre cansada e era um sacrifício fazer tudo de uma vez só...
Consegui, finalmente, depois de muitos planos e promessas, colocar telas nas janelas. Outro mega-alívio, pois agora as janelas podem ficar abertas e os gatos estão totalmente bobos, e passam um bom tempo na varanda olhando pra fora, passeando nas soleiras.

Família
Com essa nova organização da limpeza da casa, consegui ficar mais tranquila aos domingos, e então virou programa oficial ir visitar meu Paipai. E isso me faz um bem danado. Conviver com ele, com a minha mãe-drasta, com meus irmãos é muito bom. Por outro lado, a outra parte da minha família agora está em Florianópolis, então os tenho visto cada vez menos...
Mas mesmo assim, sempre próximos, graças ao MSN.

Amigos
Poucos e bons. Foi o ano das jantinhas na casa da Tata. Muitos bons momentos, muitas conversas boas, um casamento maravilhoso em outubro e muitas risadas. Tenho me tornado uma amiga melhor, mais presente, mais paciente, mais carinhosa, mais ouvinte. Passei muito tempo enquanto estava no meu relacionamento deixando meus amigos em segundo plano. Mas hoje eles são prioridade - ainda que não saibam, são.

Trabalho
Trabalhei MUITO!
Larguei a escola de inglês onde trabalhava, mantive apenas uma turma lá e me embrenhei por um mundo novo: rede estadual de ensino. Sofri muito, chorei muito, me decepcionei muito e também me apaixonei muito. Gosto de trabalhar por uma causa, e trabalhar na rede pública é sempre uma boa causa. É fazer a diferença. Mesmo que, ainda desajeitada, minha diferença tenha sido pouca... Quero pegar 20 horas no município ano que vem, dessa vez com anos iniciais, mas isso só vou saber em fevereiro.
Aulas particulares de inglês também têm me deixado bastante satisfeita. Tanto na questão financeira quanto na realização pessoal mesmo. É bom, é gostoso, e até me surpreendi que consegui um nível de organização e comprometimento que achava que não teria. Trabalhar em casa sempre parecia algo impossível para mim, que vivo me distraindo com TV, Twitter e gatos. Continuo me distraindo, mas quando a água bate na bunda, faço o que tem que ser feito!

Escotismo
Consegui voltar para o escoteiro, depois de mais de 1 ano afastada por problemas de temperamento (longa história, posso não contar?). Mas deu tudo certo. Primeira atividade, claro, chorei. Primeiro acampamento, chorei. Primeiro Fogo de Conselho, chorei. Só choro lá. E por isso amo tanto.
Escotismo mexe comigo. Com essa minha coisa que querer fazer a diferença, de querer mudar o mundo. Cada sábado que estou lá, sinto que estou mudando o mundo mesmo. É lindo. Tudo é lindo. E as crianças são maravilhosas, e me encho de orgulho ao pensar que estou contribuindo para que essas crianças maravilhosas se tornem, cada vez mais, cidadãos responsáveis, de caráter, respeitadores do próximo e do meio ambiente. É fantástico isso. E é algo que definitivamente quero dedicar a minha vida inteira.

LEO Clube
O Escotismo dispensa apresentações, mas o LEO Clube não é todo mundo que conhece. Basicamente, é um braço do Lions para jovens de 12 a 30 anos. Sim, eu sei, estou quase estourando na idade, mas resolvi entrar no barco.
Trabalhamos como o Lions, mas com um orçamento mais restrito, atuando em ações de serviços a comunidade. Então planejamos e executamos campanhas, arrecadamos fundos e trabalhamos para melhorar um pouco nossa comunidade. Sou sócia-fundadora do LEO Clube Blumenau Cidade Germânica, que foi fundado em outubro. Então ainda não temos muitas campanhas para botar no currículo, já que a fundação é recente, mas já ajudamos em 2 pedágios e estamos agora empenhados na venda de Panetones do Bem, onde toda a renda deles será revertida para dois ancionatos de Blumenau.
Sou campeã de vendas :)

Pronto, 2011. Pode vir.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Finalmente

E finalmente, as minhas merecidas férias chegaram!
Agora estou com BEM mais tempo livre, pelo menos até dia 11 de janeiro, e pretendo colocar ordem nessa bagaça.

Minha cabeça está sempre a mil, tenho lido muito, conversado muito, e sempre penso: preciso desenvolver melhor isso para fazer um post. Mas é aula de manhã, aula de tarde, aula de noite, nas horas livres preparar as aulas, corrigir prova, tarefa, cuidar dos gatos (acho q nunca me deram tanto trabalho) e ler meus emails - que são muitos, todos os dias.

Então, para os que ainda me acompanham, preparem-se, pois uma das metas de 2010 é justamente me dedicar mais ao blog!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Escotismo

Texto que eu achei bem esclarecedor, escrito pela Marília, do www.mulheralternativa.net!
O assunto surgiu no meio de uma discussão da nossa lista de Blogueiras Feministas, sobre se o Escotismo é uma atividade válida para as nossas crianças ou não, e essa foi a resposta dela a alguns questionamentos postados pelas meninas!

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O movimento escoteiro é um movimento conservador. Assim como o movimento estudantil. Tenho, aliás um amigo que fez o mestrado comparando o conservadorismo dos dois movimentos.

A "base" dele nunca foi paramilitar. O objetivo do movimento sempre foi educacional. Em 1906 o "educacional" que um ex-militar inglês pensou era, inclusive, bastante libertador pra época - por exemplo, com capítulos sobre educação sexual para meninos e, depois no movimento bandeirante, para meninas. Da mesma forma que as aulas de educação sexual reproduzem o que hoje é tido como "certo" sobre sexo, com todos os preconceitos que isso carrega, os capítulo do Robert e da Olave também o faziam, inegável. Mas que falar deste assunto para jovens abertamente era novidade, isso era.

O cara que fundou o escotismo, Robert Baden Powell, não teve grande educação em casa. Como foi no exército que ele aprendeu a se virar sozinho, achou que podia compartilhar com jovens rapazes estes aprendizados em idade anterior. Isso não significa só fazer fogueira ou fazer a própria comida (meus amigos escoteiros MENINOS todinhos cozinham, cuidam da própria comida, limpam a própria casa, etc), mas ser atuante em sua comunidade, respeitar as pessoas, etc e tal. Não tem nada dessa história de grupo de apoio à colonização da África. Não sei de onde alguém pode ter tirado isso isso - foi do cerco de Mafeking? Porque não tem nadinha de nada a ver.

Sobre a estrutura hierárquica, não existe instituição que não tenha estrutura hierárquica. Eu não consigo pensar em nenhuma. Adoraria que tivesse, mas não tem. O que não quer dizer que não haja instituições mais ou menos igualitárias - a questão é o papel que a hierarquia cumpre.

Talvez todos devessem procurar se informar melhor sobre o que são os valores do movimento escoteiro hoje. Existe um esforço mundial sendo feito para que em todos países haja uma transformação efetiva de práticas. Isso ainda não chegou em muitos lugares mas no meu grupo escoteiro, por exemplo, crianças de 7 anos tem voz e voto representativo em assembléias. Fazemos fóruns de jovens. Formações pros adultos sobre educar com igualdade de gênero. E por aí vai. A primeira prioridade estratégica do escotismo mundial é garantir jovens nas instâncias decisórias e de poder das organizações nacionais do escotismo. É uma batalha, mas isto está mudando - a UEB por exemplo tem hoje muito mais jovens atuantes do que jamais teve e isso é resultado de uma luta muito grande de muita gente no movimento. A terceira prioridade estratégica é garantir igualdade de gênero. Óbvio que desta estamos mais longe ainda - como exigir que uma instituição garanta igualdade de gênero num contexto em que a própria sociedade não garante? E aí aparecem diferenças enormes de país para país. Lidar com um movimento que agrega muitas culturas e valores é bem complexo.

Sobre a "tríade" original "Deus, pátria e próximo", se você for em grupos escoteiros onde os adultos tem um pouco de acesso ao que a UEB exige como valores, vai ver que isso já foi reinterpretado para "espiritualidade", "cultura", etc.